DA
MALOCA DO TIETÊ AO IMPÉRIO DO MATO VIRGEM.
Mário de Andrade: roteiros e descobrimentos[*]
Margarida de Souza Neves
Eu piso a terra como
quem descobre a furto
Mario de Andrade: Eu sou trezentos... (07/06/1929).
IN: Poesias Completas. p.211
1. Oh larguezas dos meus itinerários...[1]
A memória, como já foi dito, é fiel e é
móvel.[2]
Homem-memória, Mário de Andrade dedica os anos que não sabia serem os últimos que lhe
cabia viver a fazer memória. A sua própria memória individual, a do movimento
modernista que ajudara a criar e a do Brasil que quisera descobrir e dar a conhecer.
Desde 1941 voltara definitivamente para São Paulo, depois da aventura no gabinete
Capanema. Voltava à cidade, à vida e aos trabalhos que sempre foram os seus. De regresso
à casa materna, retomava o fio de sua vida pessoal e, numa perspectiva diferente daquela
que marcou seu entusiasmo pelo serviço público nos anos 30, construía a memória dos
últimos anos passados na capital federal, e que lhe apareciam então como esse meu
fracasso aí no Rio[3],
agora que estou aqui me quotidianizando numa existência para mim normal; agora
que eu trabalho sem querer (...) o meu ser adquiriu uma expansão vital adequadíssima,
estou convencido mesmo que minha vida tem de ser vivida em São Paulo. O Rio foi e
continuará sendo sempre o grande engano do meu procedimento vital, o único passo de que
me arrependo. É possível que o Rio tenha me dado grandes ou pelo menos novas
experiências, mas me viciou, me desmoralizou, me desnaturou. Nestes primeiros dias
paulistanos é certo que posso perceber com facilidade como sou mais eu, como estou em
toda a minha expansão aqui, como sou feliz. Mas agora sim este feliz, esta
felicidade, embora real, aspirada por todos os poros, transpirada por todos os
poros também, não sei mais si não será uma impressão transitória, de quem por uns
dias se reencontra em seu passado. Estou com um bruto medo para daqui a quatro meses,
três ou cinco. Nada mais garantido do que eu vir a ter fortes e freqüentes desejos ir ao
Rio e mesmo de voltar ao Rio, mas não é isso o que importa. O que eu temo é muito breve
se acrescentar ao meu ser interior uma presença de Rio, do Rio que eu vivi,( ...) que
prejudicará muito minha constância de ser e me tirará minha felicidade de realização
pessoal. Creio que sobretudo nestes primeiros meses devo fazer um bruto esforço, me
atirar numa verdadeira mística de vida trabalhosa e...rural, para me converter de novo e
inteiramente a mim mesmo.[4]
Móvel, a memória, que também compreende o esquecimento[5],
apagava seu otimismo em relação ao serviço público, tanto no Departamento de Cultura
do Município de São Paulo quanto no gabinete do Ministro da Educação: tal como grande
parte da intelectualidade brasileira, o Mário-funcionário-público acreditara na
possibilidade de interferir nos destinos do país participando da equipe de
letrados[6] que sempre circundou o
poder no Brasil.
Este otimismo no entanto esteve presente nas cartas aos amigos escritas em 1935, quando, a
convite do então prefeito de São Paulo, Fábio Prado, assumira o Departamento Municipal
de Cultura. Nessa ocasião, distante em apenas seis anos no tempo dos calendários mas a
uma distância abissal no tempo-sem-tempo da experiência, Mário escrevia a Murilo
Miranda:
Estou completamente cheio com esta aventura do Departamento em que me meti.
Você não imagina o que tem sido a minha vida. (...)O que será de mim ainda não sei
bem, sei que a vida mudou. Não faço projetos, deixei os que tinha comigo pra mais tarde
(ou quem sabe, nunca?...), estou cheio, trabalhando com paixão, com violenta paixão,
nesta primeira vida minha em que tomo contacto burocrático com o povo e com a vida. Não
recuso que a burocracia e este contacto novo são horríveis, e experiências ferozes para
mim, mas é a vida! E a vida me apaixona mesmo em todas as suas formas de viver! Não sei
no entanto se neste novo Mário sem vagueza que sou agora você encontraria alegria
propriamente, nem mesmo imagino que você sentisse em mim qualquer felicidade (...) Mas
tenho a esperança que me adaptarei e que poderei ser útil. Si o for, isso fico numa
felicidade danada outra vez, pouco me importando que se vão pro diabo todos os projetos
que no momento abandonei[7]
ou ainda, como registrava em duas cartas a Câmara Cascudo:
Mudei de mundo, Cascudinho, mudei de ser. Aos poucos hei-de lhe ir contando tudo
o que fizermos aqui, e você aos poucos há-de se ir acomodando com um novo amigo que si
será sempre o mesmo na força e convicção das suas afeições, mudou do idealista mais
ou menos disponível dos últimos tempos, pra um homem de ação, rijo, decisório,
mexendo com homens e as eternas intrigas e preguiças humanas. (...). Já tenho outras
coragens e outros prazeres. Já adquiri o gosto de vencer as dificuldades.
Ah, você nem imagina o que está sendo minha vida, uma ferocidade deslumbrante,
um delírio , um turbilhão sublime, um trabalho incessante, dia e noite, noite e dia, me
esqueci já da minha língua literária, a humanidade me fez até voltar para uma língua
menos pessoal, já me esqueci completamente de mim. Não sou, sou um departamento da
Prefeitura Municipal de São Paulo. Me apaixonei completamente [8]
O entusiasmo e a exaltação com as possibilidades abertas ao intelectual que atua nas
trincheiras do Estado, manifestados nos anos 30 foram definitivamente substituídos pela
grande frustração de 41
Acusam que estou bebendo demais. Porém enquanto eu não me achar nesta
cidadezinha, como pegar o ritmo antigo, manhas de acordar cedo, ora já se viu! Isso foi
num tempo antediluviano em que se falava na existência de um Departamento de Cultura que
teve a estupidez de ser cultural nesta Loanda[9]
Fiel, e como que sem que disso se apercebesse o próprio Mário-rememorador, a memória
remetia à experiência religiosa, marcante nos primeiros anos de um Mário-menino,
que depois de seus estudos no Grupo Escolar da Alameda Triunfo formara-se bacharel em
Ciências e Letras no Ginásio Nossa Senhora do Carmo dos irmãos Maristas, como também
nos primeiros textos de um Mário-congregado-mariano que em 1920 fazia conferências na
Irmandade de Santa Efigênia sobre a festa barroca do Triunfo Eucarístico[10], tão outro nos arroubos piedosos e tão o mesmo
na busca do Brasil através de suas festas e tradições.
Num sentido mais estrito, a religiosidade deixava-se perceber pelo vocabulário utilizado:
creio , me atirar numa verdadeira mística , para me
converter.
Num sentido mais amplo, a marca religiosa, reaparece constantemente na obra madura do
Mário-escritor-crítico, por vezes tematicamente, como no caso da bela crônica sobre a
inauguração do monumento do Corcovado, em que afirma e problematiza a importância da
religião católica na memória e na história brasileira, apontando o drama que aparece
como um dos cernes do conjunto de sua obra: aquele de um Brasil que desconhece suas
raízes e se enxerga falsamente pelo espelho europeu:
A imagem de Jesus na altura mais grandiosa da capital da República representa
incontestavelmente muito do nosso Brasil. A nossa vida histórica dos tempos coloniais
está de tal forma presa à religião católica que se pode dizer que nosso destino foi
afeiçoado por uma ideologia fradesca. (...) A estátua do Cristo é também a
representação da nossa civilização atual, importada e por muitas partes
falsa pra nós. Neste sentido o monumento é um símbolo trágico. Civilização crista...
Deram o nome dum Deus a uma civilização terrestre cujo desenvolvimento tem sido um
continuado afastamento da qûididade crística
Essa civilização construída por outros povos, com outras necessidades e outros
climas, passou pela nossa alfândega, como um aerólito fulgurante. (...) A imagem de
Cristo no tope do Corcovado, se representa uma felicidade da nossa tradição, se
representa uma das medidas do nosso ser rotulado, representa ainda o aerólito a que nos
escravizamos. Que falseamos. E que nos falseia inda mais. A imagem será chamada de
Cristo-Deus enquanto símbolo do nosso passado colonial. A imagem será chamada de
Cristo-Redentor, pelo que poderá valer em nossa contemporaneidade. Mas como índice da
civilização brasileira, é apenas Cristo-Rei. A imagem será chamada de Cristo-Rei
enquanto símbolo duma civilização que nos falseia demais.[11]
Outras vezes, mais substancialmente, a religião será tomada em seu sentido mais amplo e
mesmo etimológico (religare), referindo seu desejo de encontrar o elemento capaz de
fundir num todo coerente toda essa imensa nação brasileira
desengonçada, todo nosso corpão difícil[12], como a imagem mais forte da tarefa de intelectual quase
onipotente que o Mário-descobridor se impunha:
Todas as questões que são de vida ou de morte prá organização definitiva da
realidade brasileira (coisa que indiscutivelmente está se dando agora) nos levam pra uma
arte de caracter interessado que como todas as artes de fixação nacional só pode ser
essencialmente religiosa (no sentido mais largo da palavra: fé pra união nacional,
psicologia familiar social religiosa sexual). E creio que você bem sabe os sacrifícios
enormes de mim que fiz nesse sentido[13]
Quotidianizar-se em 1941 significou, por um lado, reassumir a cátedra
de História da Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde
ingressara por primeira vez em 1911 como aluno de música e piano e onde ensinara desde
antes de sua formatura em 1917. Por outro, significou dedicar-se a uma intensa atividade
editorial, publicando A Nau Catarineta, pela Editora Martins Fontes e uma obra de
fôlego que retoma temas há muito trabalhados, Música do Brasil, na verdade a
reunião de dois estudos, Evolução social da música brasileira e
Danças dramáticas íbero-brasileiras.
Sobretudo em Evolução social da música brasileira Mário volta a percorrer
os caminhos da construção da memória nacional pela via da cultura, pondo em evidência
a questão da música brasileira, caminhos que sempre foram os seus. Neste texto, Mário
trabalha a questão da afirmação necessária do genuinamente brasileiro
através da música, capaz de, conforme já o fizera a música jesuítica no início da
colônia, funcionar como elemento de religião já que
a todos fundia, confundia e harmonizava num grupo que as necessidades, ou melhor,
a total carência de técnica e riqueza, tornava uma verdadeira comunidade sem classes,
composta de indivíduos socialmente aplanados entre si[14]
Mais adiante, volta ao problema das relações entre o particular e o universal de forma
particularmente ferina:
Sei bem que, mais enceguecidos ainda, muitos compositores tardios, ecos
preguiçosos desses tempos mais cômodos, escamotearam agora a palavra
internacionalista, a substituíram por outra, e vem nos falar cantando de
música universalista, de música universal. Isto é um verdadeiro
primor de ignorância sociológica. (...) A tal música universal é um
esperanto hipotético, que não existe.[15]
Fiel, a memória musical do país que Mário constrói na década de 40 volta a tocar os
temas centrais de sua reflexão: a busca de uma linguagem autenticamente brasileira
também pela música; a criação de um estado de consciência coletivo
nacionalista[16]; a valorização do
popular através da fixação da música mais intransigentemente nacional,
a música popular[17]; o encontro do
universal no particular; a afirmação do primado do belo que no entanto não pode ignorar
a missão do artista e de todo intelectual em relação ao coletivo:
É certo que essa fase nacionalista não será a última da evolução social da
nossa música. Nós ainda estamos percorrendo um período voluntarioso, conscientemente
pesquisador. Mais pesquisador que criador. O compositor brasileiro da atualidade é um
sacrificado, e isso ainda aumenta o valor dramático empolgante do período que
atravessamos. O compositor, diante da obra a construir, ainda não é um ser livre, ainda
não é um se estético, esquecido em consciência de seus deveres e
obrigações. Ele tem uma tarefa a realizar, um destino prefixado a cumprir, e se serve
obrigadamente e não já livre e espontaneamente, de elementos que o levem ao cumprimento
do seu desígnio pragmático.[18]
Móvel, esta mesma memória esquece o que dissera em 1931 sobre a ideologia
fradesca, ao atribuir à música jesuítica um caráter anacronicamente nacional
assim como também esquece que em 1928 afirmara em carta a Câmara Cascudo só
conhecer História pela rama e faz História. Periodiza a História do Brasil ao
periodizar a História de sua música em quatro períodos: o da música jesuítica
visto com olhos complacentes; o da fixação dos grandes centros (Bahia e
Pernambuco), quando a música torna-se um elemento de enfeite nas festas de
religião e morre o Deus verdadeiro, popular, da primitiva coletividade,
transformando-se num Deus triunfal, singularmente escravocrata, cheio de enfeites
barrocos e francamente favorável ao regime latifundiário[19]; o do Império, que fizera da modinha
manifestação do lar e da ópera algo importado e solitário
como o próprio Imperador[20]; e
finalmente o período republicano, polarizado pelo nacionalismo desde
Alexandre Levy e Alberto Nepumuceno.
A música brasileira teve um desenvolvimento lógico, que chega a ser primário
de tão ostensivo e fácil de perceber: primeiro Deus, em seguida o amor e finalmente a
nacionalidade.[21] Sintetizava o
Mário-historiador.
Em 1942 escreve o ensaio sobre folclore no Brasil para o Handbook of Brazilian Studies,
descobrindo o Brasil para um público mais amplo que o brasileiro através daquilo que
considerava sua fonte mais autêntica, e reescreve a Pequena História da Música,
cuja primeira versão é de 1929. Também envia o Programa de um curso de História da
Poesia Popular Brasileira que pretendia ministrar na Escola de Sociologia e Política da
Universidade de São Paulo, mas acaba desistindo de dar o curso, por problemas de saúde.
Mas é sobretudo com o texto O movimento modernista,
conferência apresentada no salão da biblioteca do Palácio do Itamaraty, então
Ministério das Relações Exteriores, que Mário faz seu trabalho de arrematar os fios da
memória.
O movimento Modernista e A elegia de abril, escrita
em 1941 mas que Mário publica em 1943 em Aspectos da Literatura Brasileira,
constituem suas memórias do modernismo, assim como a publicação, também em 1943 e como
parte do livro O baile das quatro artes, d O artista e o artesão,
aula inaugural que dera em 1938 para os cursos de Filosofia e História da Arte na
Universidade do Distrito Federal, pode ser considerada seu testamento estético.
Em suas memórias do modernismo, Mário define o movimento, situando-o no sempre retomado
debate entre antigos e modernos[22] tanto como
uma ruptura que fazia de certa forma tábula rasa do passado, quanto como um movimento em
que, subindo sobre os ombros dos que os antecederam, os modernos brasileiros podiam
enxergar mais longe,
Embora se integrassem nele figuras e grupos preocupados de construir, o espírito
modernista que avassalou o Brasil, que deu o sentido histórico da Inteligência nacional
desse período, foi destruidor. Mas essa destruição não apenas continha todos os germes
da atualidade, como era uma convulsão profundíssima da realidade brasileira. O que
caracteriza esta realidade que o movimento modernista impôs, é, a meu ver a fusão de
três princípios fundamentais: o direito permanente á pesquisa estética; a
atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma
consciência criadora nacional.
Nada disso representa exatamente uma inovação e de tudo encontramos exemplos na
história artística do país. A novidade fundamental, imposta pelo movimento, foi a
conjugação dessas três normas num todo orgânico da consciência coletiva.[23]
Fiel, a memória reafirma o caráter nacional do movimento
Manifestado especialmente pela arte, (...) o Movimento Modernista foi o
prenunciador, o preparador e por muitas partes o criador de um estado de espírito
nacional.[24]
Móvel, apaga com uma penada a importância que Mário atribuiu por longos anos ao
esforço de escrever em língua brasileira, na língua falada no país, superando a
dualidade que sempre apontara entre o falar em brasileiro e o escrever em português
O estandarte mais colorido dessa radicação à pátria foi a pesquisa da
língua brasileira. Mas foi talvez boato falso. [25]
Fiel e simultaneamente móvel, a memória vai refazendo o trajeto do Mário-modernista,
revivendo as emoções da Semana de 22, periodizando o movimento, destacando os espaços
de reunião, revendo os personagens e seu lugar no modernismo. Junto a Paulo Prado, a quem
sempre reverenciara e em quem identifica agora como o fautor verdadeiro da Semana de
Arte Moderna [26] desfilam muitos nomes,
amigos queridos e ex-amigos como Oswald de Andrade, com quem nunca se reconciliara mas
reconhece como a figura mais característica e dinâmica do movimento [27]; Graça Aranha, a quem chamara de peralta
mentiroso[28] e que agora chama de
mestre[29]; Menotti del Pichia de
quem dissera estar dando nojo[30]
e a quem presta homenagem[31].
Ao reconstruir a memória do modernismo, Mário parece encontrar uma síntese de si mesmo
que entrelaça o movimento, o Brasil e sua própria vida
Não tenho a mínima reserva em afirmar que toda a minha obra representa uma
dedicação feliz a problemas do meu tempo e minha terra. Ajudei coisas, maquinei coisas,
muita coisa! E no entanto me sobra agora a sentença de que fiz muito pouco, porque todos
os meus feitos derivaram duma ilusão vasta. [32]
Era a memória transposta em assombração, sobre a qual ele mesmo teorizara em 1929,
As memórias que a gente guarda da vida experimentada vão se enfraquecendo cada
vez mais. Para dar pra elas ilusoriamente a força da realidade nós as transpomos para o
mundo das assombrações por meio do exagero. Exageros malévolos ou benéficos. (...)
É um engano isso de afirmarem que a gente pode reviver, tornar a sentir as sensações
e os sentimentos do passado. As memórias são fragilíssimas, degradantes e sintéticas
para que possam nos dar a realidade que passou tão completa e grandiosa. Na verdade o que
a gente faz é povoar a inteligência de assombrações exageradas e secundariamente
falsas. Esses sonhos de acordado, poderosamente revestidos de palavras, se projetam da
inteligência pros sentidos e dos sentidos pro ambiente exterior, se alargando cada vez
mais. São as assombrações. Diferentes pois das sensações, as quais do ambiente
exterior pros sentidos e destes pra inteligência vem se diminuindo cada vez mais. E essas
assombrações, por completo diferentes de tudo quanto passou é que a gente chama de
´passado´[33]
Em dezembro de 1944, dois meses antes de sua morte, Mário de Andrade escreve, não sem
algum exagero retórico, em carta a Fernando Sabino, então um jovem escritor:
Há nesta rua Lopes Chaves um ridículo homem que chegou à convicção que neste
momento culminante da vida, toda arte é pueril, todo indivíduo que não se sacrificar
totalmente pela vida coletiva humana é um canalha, é um vendido, é um canalha. Há um
homem que chegou à convicção de que só é possível lutar, e só é preciso matar ou
morrer[34]
Nesse mesmo ano escreve a Murilo Mendes: O ano que vem vou desaparecer da vida o
mais que puder[35]. Ainda que sua
intenção ao escrevê-la era afirmar o desejo de maior empenho na vida de escritor, lida
retrospectivamente a frase tem um macabro sentido premonitório: em 25 de fevereiro de
1945 Mário morria em São Paulo.
Como sumo sacerdote da memória nacional, da memória do modernismo brasileiro e de sua
memória pessoal, Mário de Andrade dedica seus últimos anos a trançar os fios da
memória, que sempre entrecruzam o passado e o presente, os tempos e os espaços, o
registro e a invenção, o sagrado e o profano, a história e a ficção, a realidade e o
projeto, o dado e a construção, o vivido e o sonhado.
Fiel e móvel, como toda memória[36],
a que o Mário-memorialista tece na casa da rua Lopes Chaves constrói uma identidade na
busca uma síntese: a sua própria. a do movimento modernista e a do Brasil que continuava
a querer descobrir.
2. Eu trago na vontade todo o futuro traçado![37]
Sobre que suportes físicos e simbólicos Mário de Andrade constrói esta
memória/identidade tríplice e una?
Os cinco anos da década de quarenta que viveu em São Paulo foram, efetivamente, anos de
busca da sua constância de ser, anos em que, talvez inconscientemente,
tenta reunir em um só os trezentos, trezentos-e-cinquenta que, pela
mágica da palavra poética, reconhecera um dia ser[38]
.
Em 1940, quando, ainda como funcionário do S.P.H.A.N. que ajudara a criar em 1937, volta
a São Paulo, viaja por todo o estado fazendo pesquisas para este órgão. Em 1941, viaja
ainda pelo Norte e pelo Nordeste do Brasil, comissionado pelo SPHAN, transformando seus
descobrimentos em patrimônio nacional. Retoma assim, em tempos mais breves e percursos
menos extensos que aqueles percorridos em décadas anteriores, às suas viagens.
Como em todas as que fez, o que busca então é o Brasil, no desejo de cumprir o que via
como o meu dever de conhecer o Brasil e compreendê-lo [39], seguindo caminhos já palmilhados em outros
momentos, pelos caminhos do Tietê acima, no desejo de partir pela via de um
Mato-Grosso[40]. Para o
Mário-viajante, como para sua criatura Macunaíma, o longe estava bonito[41] e nele era possível encontrar os
milagres do sertão[42]. Suas
viagens físicas e simbólicas são, portanto, um dos suportes de suas memórias.
São as viagens um elemento atávico da identidade de Mário. Do avô materno Joaquim de
Almeida Leite Moraes que percorreu o sertão do Brasil no final do século XIX, viajante
lúcido que anotou cuidadosamente seus descobrimentos[43],
Mário parece ter herdado a vocação andarilha. São também uma constante na sua
memória de construtor do modernismo. E são seus informantes privilegiados os viajantes
de outros tempos que se aventuraram pelos sertões, Martius, Rugendas, Saint Hilaire e
Burton[44], cujos roteiros são constantemente
refeitos pelo Mário-leitor.
De suas viagens pelo Brasil guardava as lembranças, o rumo, e a intenção.
Com efeito, desde 1925, quando empreendeu juntamente com Blaise Cendras, René Thiollier,
D. Olívia Guedes Penteado, Godofredo da Silva Telles, Oswald de Andrade e seu filho Nonê
uma viagem a Belo Horizonte e cidades históricas mineiras a que os viajantes chamaram viagem
da descoberta do Brasil, Mário retoma constantemente viagens, físicas e
simbólicas, com essa intenção permanente.
É para descobrir o Brasil e dá-lo a conhecer que foi em peregrinação às cidades
mineiras em 1925. É também com esse mesmo objetivo que em 1927 viaja pelo
Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia e por Marajó até dizer chega[45], e com a mesma intenção viaja ao Nordeste entre
novembro de 1928 e fevereiro de 1929. Movido pelo que confidenciava a Câmara Cascudo ser
uma sodade misteriosa das coisas que ainda não vi[46], Mário planeja e empreende incessantemente suas viagens
etnográficas[47]. Viaja porque Meu
Deus! Tem momentos em que eu tenho fome do Brasil, mas positivamente fome física, fome
estomacal de Brasil[48]. Viaja
também porque ter estado lá é uma volúpia, porque As
viagens nos dão muita autoridade (...) o homem viajado pode estar destituído da verdade,
mas possui a evidência do mundo que viajou[49].
Por essas razões planeja cuidadosamente os roteiros de suas viagens e parte, com sua
Kodak a tiracolo, recolhendo tudo para cumprir minha função de colhedor de
coisas da nossa gente[50] e anotando
pedaços mesmo corriqueiros do Brasil[51].
O rumo de suas viagens é o que chama o Norte. Não apenas o Norte
geográfico do país, mas sobretudo o norte-rumo, onde o Brasil finalmente poderia ser
descoberto em sua pureza. O Norte que não é São Paulo, porque A mecânica da
vida para São Paulo, e o sonho aí com vocês[52].
O Norte-Uiraricoera, Império do Mato Virgem onde reinaria Macunaíma. E é esse Norte
simultaneamente sonho e porto seguro que parece buscar,
meu sonho me puxa, não sei explicar, sei é que minha vista vê com fome de tal
largo de Belém, a praia de Tambaú, as rochas da Areia Preta, a largueza largada da
avenida Jundiaí, tal igarapé do rio Madeira. (...) o Norte faz de tal forma coincidir
meu corpo com minha alma que só aí eu poderia ter a verdadeira paz dentro de mim que eu
carecia e genuinamente penso que mereço. Essa é a verdade. Aliás minha obra si eu a
construir mostrará esse afeto do Norte.[53]
Talvez por isso ele, que jamais se sentira a gosto fora da casa materna que sempre
compartiu com D. Maria Luiza, busque uma casa para comprar em Natal, uma casa cuja cerca
deve ser mantida baixa pra todos os nordestinos poderem entrar. Minha casa não
é sinão de todos os nordestinos, principalmente dos outlavos, cantadores,
couqueiros, dançadores de bumba e fandango, catimboseiros e cangaceiros[54] . Talvez por isso aceite a casa na Praia da
Areia Preta doada pelo então presidente do Estado do Rio Grande do Norte, Juvenal
Lamartine de Faria. Na casa do Norte no entanto, Mário jamais iria morar.
As lembranças das viagens se multiplicavam nos objetos recolhidos, nas anotações
feitas, nas fotografias tiradas: uma delas, uma vez revelada, mostra não apenas as águas
do rio Negro que o Mário-fotógrafo buscara registrar, mas também, por caprichos de
Vei-a-Sol, a sombra do fotógrafo sobre o rio fotografado[55],
sombra autoral presente no retrato do Norte, como presente também em todas as rotas de
seus descobrimentos, e nos fios da memória que cuidadosamente tece para a posteridade.
Nos anos 40, o Mário-viajante refaz os roteiros percorridos preparando a edição
definitiva d O Turista Aprendiz, que deixará inédito ao morrer[56]. E a viagem se faz reviagem[57] através da escrita e da leitura, vivendo
de memória viva, sangüínea, pulsante dentro de mim[58], como dissera antes.
Os objetos recolhidos nessas viagens ou insistentemente pedidos por carta aos amigos,
sobretudo a Câmara Cascudo, se avolumam em suas inúmeras coleções, outro dos
suportes físicos da memória de Mário de Andrade. O afã de colher e recolher fez de
Mário um grande colecionador. Em seus escritos há alusões a coleções de fotos[59], de discos e livros, de quadrinhas cantadas, de
discos e livros, de emboladas, de folhetos de cordel, de dísticos grafados em
pára-choques que ele chama de dísticos de bibi, de uma
documentação bastante cômica , provando largamente que o ignorante possui uma
ortografia exclusivamente individualista a que por certo nenhuma reforma ordenará [60]; uma coleção bem regular de cabeças
talhadas em madeira por índios civilizados de Pernambuco que lhe servirá como
argumento definitivo sobre o problema do Belo em O artista e o artesão[61] . Essas coleções, lembranças de suas viagens
físicas ou simbólicas pelo Brasil, Mário afirmava quando jovem, são as
delícias de minha vida (...). Não por sentimentalismo. Mas sei surpreender o segredo das
coisas comezinhas da minha terra. E a minha terra ainda é o Brasil.[62]
O Mário-colecionador é também o Mário-intérprete. Aquele que se vê a si mesmo como
capaz de descobrir o Brasil através de cada um de seus retalhos, encontrando neles indícios
ou sinais, no sentido forte atribuído a esses termos por Carlo Ginzburg[63] e cumprindo assim o destino que Angel Rama
atribuiu à Cidade Letrada latino-americana de todos os tempos, a de
ler como significações o que não são nada mais que significantes sensíveis
para os demais, e, graças à essa leitura, reconstruir a ordem.[64]
Ordenadas, reunidas e apresentadas por ele, as coleções de Mário revelariam o Brasil
descoberto aos brasileiros. Esse talvez possa ser o insólito denominador comum entre a Enciclopédia
Brasileira, por um lado, e Macunaíma, por outro.
Na primeira, Mário revive o sonho iluminista dos enciclopedistas de todos os tempos: o de
construir uma catedral letrada que levasse da imanência dos conhecimentos específicos à
transcendência da sabedoria sobre o todo, da fragmentação à totalidade, do plural ao
singular, criando assim uma linguagem comum.
No caso concreto da Enciclopédia brasileira, anteprojeto elaborado em 1939, quando
era chefe do Instituto Nacional do Livro e a pedido do ministro Capanema, a Enciclopédia
deveria também levar, da multiplicidade dos verbetes sobre os mais variados temas
brasileiros ao caráter unívoco da coisa brasileira[65], conduzindo assim ao descobrimento do Brasil o público amplo
que de antemão define: os lares operários assim com o homem
culto[66]. Por isso a Enciclopédia
seria monumento, caracterizada pela multivalência e um
cometimento de enorme utilidade e patriotismo verdadeiro[67] e Mário o grande descobridor.
Coleção ordenada de fragmentos, a Enciclopédia nunca realizada poderia
apresentar, como os antigos portulanos, as rotas do descobrimento do Brasil.
Já em Macunaíma, livro-síntese de seus descobrimentos e de seu modernismo, o
herói sem nenhum caráter empreende uma viagem redonda do Uiraricoera
a São Paulo, cidade macota esparramada a beira-rio do igarapé Tietê [68] e da boa São Paulo, a maior do
universo, no dizer de seus prolixos habitantes[69]
de volta ao fundo do mato virgem [70],
do qual se tornara imperador ao gerar um filho com Ci, mãe do mato. A epopéia gira em
torno da busca da muiraquita, já que por causa dela tudo ficava fácil[71] e era a única lembrança que lhe deixara Ci,
a companheira para sempre inesquecível[72], ao morrer e transformar-se na estrela Beta de Centauro. Na
viagem, o herói descobre e decodifica para as Icamiabas a cidade grande, São Paulo,
maloca ilustre, e o Rio de Janeiro, maloca sublime,
e percorre o Brasil inteiro em viagens de tal forma extraordinárias que a certa altura Macunaíma
não sabia mais em que parte do Brasil estava e se lembrou de perguntar[73].
Ao escrever o que para muitos críticos é seu livro máximo e para o Mário dos últimos
anos de vida é uma obra prima que falhou[74], Mário, entre outras coisas, antecipa seu projeto de
enciclopedista: expõe suas coleções de lendas, de quadrinhas cantadas, mitos e
tradições brasileiras, fazendo obra de rapsodo[75], que é como se chamavam os que, com outro método, faziam
trabalho análogo ao dos enciclopedistas, como os cantadores nordestinos, (...)
que se servem dos mesmos processos dos cantadores da mais histórica antigüidade, da
Índia, do Egito, da Palestina, da Grécia, transportam integral e primariamente tudo o
que escutam e lêem pros seus poemas, se limitando a escolher entre o lido e o escutado e
a dar ritmo ao que escolhem pra que caiba nas cantorias. (...) Isso é Macunaíma e isso
sou eu [76] E faz do Brasil
descoberto uma síntese que supõe um caminho que se inicia nos matos do
Norte[77] e dilui toda a
espacialidade convencional. Por isso afirma em carta a Câmara Cascudo antes mesmo da
publicação do livro:
Minha intenção foi esta: aproveitar no máximo possível lendas tradições
costumes frases feitas etc. Brasileiros. E tudo debaixo de um caracter sempre lendário
porem como uma lenda de índio e de negro. O livro quase não tem nenhum caso inventado
por mim, tudo são lendas que relato (...) Um dos meus cuidados foi tirar a geografia do
livro. Misturei completamente o Brasil inteirinho como tem sido minha preocupação desde
que intentei me abrasileirar e trabalhar material brasileiro. Tenho muito medo de ficar
regionalista e me exotisar pro resto do Brasil. (...) Enfim é um livro bem
tendenciosamente brasileiro.[78]
Coleção ficcionalizada de fragmentos, Macunaíma, livro que nascera como seu
herói num momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do
Uiraricoera[79] partejado pelas
mãos do Mário-rasodo no retiro de Araraquara, já tornava realidade, ao ser publicado em
1928, o sonho da Enciclopédia , demarcando rotas e sinalizando o que fora
descoberto.
Simbolicamente, as viagens e coleções de Mário de Andrade se duplicam na
busca de uma tradição brasileira a que se dedicou com afinco. Esta
busca se constitui igualmente em suporte de sua memória e elemento essencial de sua
história.
Buscar uma tradição brasileira supunha para Mário, por um lado, a afirmação do
europeísmo como nosso primeiro, derradeiro e único mal[80] e, por outro, o desejo de tradicionalizar o Brasil[81]
O europeísmo era para Mário a eterna necessidade dos brasileiros de beberem nas fontes
européias, era aquilo que fizera com que os intelectuais brasileiros vivessem de
corpo no Brasil e de espírito na Europa[82],
era enfim a moléstia-de-Nabuco.
Moléstia-de-Nabuco é isso de vocês andarem sentindo saudade do cais do Sena em
plena Quinta da Boa Vista e é isso de você falar dum jeito e escrever covardemente
colocando o pronome carolinamichaelismente. Estilize a sua fala. Sinta a Quinta da Boa
Vista pelo que é e foi e estará curado da moléstia-de-Nabuco.[83]
Curiosamente esse mesmo Mário que critica o nosso ponto de vista
litorâneo-europeu e a nossa idiotíssima civilização importada[84] afirma em 1930 que
A literatura científica alemã (...) constitui por assim dizer ... a base
física do espírito. Base física, alicerce. É um mundo de fixidez e regulamentação
astronômica. Com essa base e dessa profundeza, os latinos da Europa e os americanos da
América, façamos nossas estrelas! (...)Não me parece que haja no mundo atualmente
ninguém que precise mais que o brasileiro duma base física bem germânica pro seu
espírito. Inteligência fuque-fuque, brilhação espiritual exterior, fogo-de-artifício
de palanfrório, colocação de pronome, Brasil com esse e metáforas lindíssimas, isso
é que não nos falta absolutamente. Falta é a base física. O dia em que fundearmos a
nossa nau Catarineta desarvorada e luminosa, no porto sossegado e habilitado da ciência
alemã no original (alemão é tão esquisito que não se pode jamais traduzir com
perfeição) então, gentes do mundo, vocês verão de quantos paus se faz esta
canoa.[85]
Mais do que uma incoerência a ser assinalada, a referência situa o autor na história
social da cultura de sua época, impregnada de cientificismo. Os homens da geração que
viveu a virada do século XIX para o século XX, por mais que se pretendessem originais e
autônomos beberam direta ou indiretamente das fontes cientificistas européias, sobretudo
das germânicas. Fontes germânicas e gosto estético anglo-germânico: não por acaso
Mário, que se reconhece como um leitor assíduo da literatura de cordel[86], ao citar os livros que ele e os de sua
estirpe intelectual colecionamos em nossas bibliotecas cita a Shelley,
a Goethe, a Heine, a Shakespeare abrindo exceção apenas para Dante
e talvez Baudelaire[87]. Isso
não o impede no entanto de garimpar, como o fizeram em geral os nossos modernos, o
genuinamente brasileiro. E de criticar duramente os românticos.
As tradições deveriam servir de base para especificar nossa identidade mais
nacional que racial de brasileiros[88], para
fazer brasileirismo sem nacionalismo[89].
A tradição buscada a modo de origem e fundamento, foi uma das tarefas que Mário
perseguiu com mais afinco e entendeu como missão de sua geração e do
modernismo. Com efeito, e como já estabeleceu em bases sólidas Eduardo Jardim de Moraes,
Mário foi sem dúvida um grande paladino do que este autor convencionou chamar de
brasilidade modernista[90].
Busca as tradições porque parte da convicção que pátria, além
duma aventura econômica, é uma tradição[91].
Por buscá-las, confessa preferir a tradição à história em carta a Câmara Cascudo:
Porque você em vez de dar fim prás Lendas e Tradições já encaminhadas se
mete fazendo mais projeto de livro e inda mais o enorme do livrao em três volumes que
projetou? (...) ambos tem interesse brasileiro igual. Pra mim que só conheço História
pela rama prefiro o das Tradições.[92]
Por buscá-las e necessitar parceiros nessa busca, Mário, que se reconhecia um
folclorista amador[93] e mais que
qualquer outra coisa um mestre (Não faço arte, ensino. Pode ser que ensine mal
porém a intenção é de ensinar bem.[94]),
não hesita em repreender duramente o amigo folclorista cujo estilo atual,
vivaz e serelepe e a inteligência forte, viva e eficaz [95] admira.
Você tem a riqueza folclórica aí passando na rua a qualquer hora. Você tem
todos os seus conhecidos e amigos do seu Estado e Nordeste para pedir informações. Você
precisa um bocado descer dessa rede em que você passa o tempo inteiro lendo até dormir.
Não faça escritos ao vai-vem da rede, faça escritos caídos da boca e dos hábitos que
você foi buscar na casa, no mucambo, no antro, na festança, na plantação, no cais, no
boteco do povo. Abandone esse ânimo aristocrático que você tem e enfim jogue todas as
cartas na mesa, as cartas de seu valor pessoal que conheço e afianço, em estudos mais
necessários e profundos. [96]
Por buscá-las ainda, se contradiz aparentemente ao dirigir-se ao grande público em 1925
e ao refletir para si mesmo quatro anos mais tarde. No primeiro caso, afirma a existência
de um passado que espera apenas ser tradicionalizado, ou seja, viver-lhe a
realidade atual com a nossa sensibilidade tal como é e não como a gente quer que ela
seja, e referindo a esse presente nossos costumes, língua , nosso destino e também nosso
passado[97]
Nós já temos um passado guaçu e bonitão pesando em nossos gestos; o que
carece é conquistar a consciência desse peso, sistematizá-lo e tradicionalizá-lo, isto
é, referi-lo ao presente.[98]
Em 1929, ao contrastar a cultura brasileira - e por extensão americana - com a européia,
Mário escreve:
Isso para mim é uma fatalidade da nossa condição americana. É raro que
possamos dar homens raçados na inteligência. É mais fácil a gente fazer um gesto ou
ter uma idéia de gênio do que praticar uma vida homogênea. Falta passado, falta norma e
tradição de grandeza por detrás, funcionando como fatalidade, obrigando a gente a ser
homogêneo. (...)
Certamente Manoel Bernardes não teve tamanha genialidade como José de Alencar,
nem Campoamor ou Boileau certos passos e certas perfeições geniais tamanhas como as de
Cláudio Manuel. Porém os da Europa tinham já por trás uma cerca farpada de mortos
fazendo bem pra eles, dizendo pra eles: - o caminho é por aqui, gente! - E foram
obrigados a fazer o caminho. À força, independente deles. (...)
Faltou cerca pros nossos dois. E ainda me melancoliza mais estar imaginando que
eles não conseguiram também erguer a cerca prá nós.[99]
A contradição aparente entre a afirmação de um passado guaçu e a
negação de sua existência se dilui em torno à tese central: a cerca farpada que
via como carência e necessidade, a tradicionalizaçao do Brasil era, segundo
Mário, a síntese da obra dos modernistas e, nela, de sua própria obra:
Todo o segredo da nossa revolta estava em dar uma realidade eficiente e um valor
humano para nossa construção. Isso estamos descobrindo. Ora o maior problema atual do
Brasil consiste no acomodamento da nossa sensibilidade nacional com a realidade
brasileira, realidade que não é só feita de ambiente físico e os enxertos de
civilização que grelam nele, porem comportando a nossa função histórica para conosco
e social para com a humanidade. Nós só seremos de deveras uma raça o dia em que nos
tradicionalizarmos integralmente e só seremos uma Nação quando enriquecermos a
humanidade com um contingente original e nacional de cultura. O modernismo brasileiro
está ajudando a conquista desse dia. E muito, juro para você.[100]
Poucas vezes um trecho tão breve resume com tanta precisão e com tanta veemência as
teses centrais do trabalho de Mário de Andrade e de sua concepção do modernismo: a
busca da tradição como tarefa; a fusão do passado com o presente como desafio; a busca
do universal no mais particular e autêntico. O descobrimento do Brasil como síntese. E
outra vez o gesto autoral se projetando sobre outro rio, desta vez o da própria memória
nacional: por trás da afirmação do modernismo como conquistador, não é difícil
perceber a sombra de Mário de Andrade em seu auto-retrato como construtor da cerca
farpada obrigando a gente a ser homogêneo, dizendo o caminho
é por aqui, gente!
3. Vou re-entrar no meu povo[101]
No Epílogo de Macunaíma o narrador, até este ponto oculto, se
faz presente revelando, quase numa parábola, muito de si mesmo, do modernismo e do Brasil
por ele descoberto. Novamente a sombra autoral se projetando, agora à beira-rio do
Uiraricoera:
Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na Tribo Tapanhumas e os
filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. (...) ...Um silêncio
imenso dormia à beira-rio do Uiraricoera.
Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar na fala da tribo nem contar aqueles
casos tão pançudos. Quem que podia saber do herói? Agora os manos virados na sombra
leprosa eram a segunda cabeça do Pai do Urubu e Macunaíma era a constelação da Ursa
Maior. Ninguém jamais não poderia saber tanta história bonita e a fala da tribo
acabada. Um silêncio imenso dormia à beira-rio do Uraricoera.
Uma feita um homem foi lá. Era madrugadinha e Vei mandara as filhas visar o passe das
estrelas. O deserto tamanho matava os peixes e os passarinhos de pavor e a própria
natureza desmaiara e caíra num gesto largado por aí. A mudez era tão imensa que
espichava o tamanhão dos paus no espaço. De repente no peito doendo do homem caiu uma
voz da ramaria:
- Curr-pac, papac! curr-pac, papac!...
O homem ficou frio de susto feito piá. Então veio brisando um guanumbi e bobleboliu
no beiço do homem:
- Bilo, bilo, bilo, lá...tetéia!
E subiu apressado pras árvores. O homem seguindo o vôo do guanumbi, olhou pra cima.
- Puxa rama, boi! o beija-flor se riu. E escafedeu.
Então o homem descobriu na ramaria um papagaio verde de bico dourado espiando pra ele.
Falou:
- Dá o pá, papagaio.
O papagaio veio pousar na cabeça do homem e os dois se acompanheiraram. Então o
pássaro principiou falando numa fala mansa, muito nova, muito! que era canto e que era
cachirí com mel-de-pau, que era boa e possuía a traição das frutas desconhecidas do
mato.
A tribo se acabara, a família virara sombra, a maloca ruíra minada pelas saúvas e
Macunaíma subira pro céu, porém ficara o aruaí do séquito daqueles tempos de dantes
em que o herói fora o grande Macunaíma imperador. E só o papagaio no silêncio do
Uiraricoera preservava do esquecimento os casos e a fala desaparecida. Só o papagaio
conservava no silêncio as frases e feitos do herói.
Tudo ele contou pro homem e depois abriu asa rumo de Lisboa. E o homem sou eu,
minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei
em riba dessas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei
a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de
nossa gente.
Tem mais não.[102]
O homem sou eu, minha gente. Na palavra do autor finalmente a síntese
buscada. Foi ele, o Mário-viajante, o homem que saiu da taba grande paulistana[103] e foi aos matos do Norte[104] para, no silêncio imenso, na dor e
no susto, ouvir do papagaio a fala mansa que era boa e revelava coisa
muito nova, muito!
Foi ele, o Mário-colecionista, o homem que se acompanheirou com o último dos
papagaios do bando de araras vermelhas e jandaias, todos esses faladores[105] que havia feito parte do cortejo
sarapintado de Macunaíma imperador[106].
Foi ele, o Mário-escritor o homem que botou a boca no mundo cantando na fala impura as
frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente
Foi ele, o Mário-memória o homem que ouviu a jandaia que conservava no silêncio as
frases e feitos do herói, preservando do esquecimento os casos e a fala desaparecida.
Foi ele, o Mário-descobridor o homem que encontrou na ramaria um papagaio verde de
bico dourado espiando pra ele, e falou. Sem ele, ninguém jamais podia saber
tanta história bonita e a história da tribo acabada.
O homem sou eu, minha gente! E nesse Ecce Homo
moderno ecoavam todos os roteiros e todos os descobrimentos do homem que, no caso deste
livro, se vangloriara do gesto autoral ao escrever meu nome está na capa do
Macunaíma e ninguém o poderá tirar[107]:
a busca de uma língua brasileira, das tradições brasileiras, da diluição das
diferenças regionais na síntese de um todo, de uma arte-açao, do Brasil no povo
brasileiro.
Por ter escrito Macunaíma, Mário não apenas pode repetir o que já dissera em
1924, estou escrevendo em brasileiro[108],
mas também ficcionaliza, através do herói, o drama da dualidade lingüística no
Brasil que ele pensara solucionar e considerara, quase sempre, missão primordial dos
modernos.
porque o Brasil é uma nação possuidora de uma língua só. Essa língua não
lhe é imposta. É uma língua firmada gradativa e inconscientemente no homem nacional. É
a língua de que todos os socialmente brasileiros têm que se servir, se quiserem ser
compreendidos pela nação inteira. É a língua que representa intelectualmente o Brasil
na comunhão universal [109]
Depois de ser batizado na religião Caraimonhaga que estava fazendo furor no sertão da
Bahia, Macunaíma, enquanto aguarda que Venceslau Pietro Pietra - o gigante Piaima - muito
doente com a sova e todo envolvido em rama de algodão se levantasse da rede
onde estava deitado por cima do caramujo onde guardara a muiraquita, aproveita a
espera se aperfeiçoando nas duas línguas da terra, o brasileiro falado e o português
escrito. [110].
A carta pras icamiabas é um texto central, física e criticamente, do livro. Nela
Mário dirá em 1931 ter posto frases inteiras de Rui Barbosa, de Mário Barreto,
dos cronistas portugueses coloniais e devastado a tão preciosa quão
solene língua dos colaboradores da Revista de Língua Portuguesa uma vez que
Isso era inevitável pois que o meu ... isto é, o herói de Koch Grünberg, estava
com pretensões de escrever um português de lei.[111].
Nela, faz Macunaíma deixar de lado sua preguiça ancestral e
escrever uma longa missiva em português escorreito na que afirma
ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa que
falam numa língua e escrevem noutra Assim chegado a essas plagas hospitalares, nos demos
ao trabalho de bem nos inteirarnos da etnologia da terra, e dentre muita surpresa e
assombro que se nos deparou por certo não foi das menores tal originalidade lingüistica.
Nas conversas utilizam-se os paulistanos de um linguajar bárbaro e multifário, crasso de
feição e impuro na vernaculidade, mas que não deixa de ter o seu sabor e força nas
apóstrofes, e também nas vozes do brincar. Destas e daquelas nos inteiramos, solícito;
e nos será grata empresa vô-las ensinarmos aí chegado. Mas si de tal desprezível
língua se utilizam na conversação os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se
despojam de tanta asperidade, e surge o Homem Latino, de Lineu, exprimindo-se numa outra
linguagem, mui próxima da vergiliana, no dizer dum panegirista, meigo idioma, que, com
imperecível galhardia, se intitula: língua de Camões![112]
Macunaíma exercita e satiriza a dualidade lingüística, e o diagnóstico deste mal pode
ser claramente inferido pelo leitor atento: mais uma das manifestações da moléstia-de-Nabuco,
razão pela qual o herói deve iniciar sua carta com uma desagradável
nova:
É bem verdade que na boa cidade de São Paulo (...) não sois conhecidas por
icamiabas, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se
afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois
chamadas. Muito nos pesou a nós Imperator vosso, tais dislates da erudição porém heis
de convir conosco que, assim, ficais mais heróicas e mais conspícuas, tocadas por essa
plátina respeitável da tradição e da pureza antiga[113]
No entanto não é só porque escreve em brasileiro que Mário faz em Macunaíma sua obra
síntese: é também porque nela recolhe, como o rapsodo que disse pretender ser,
as tradições brasileiras. No livro, a Uiara, a Boiúna, o Bicho Pondê, o Monstro Oibê,
o Negrinho do Pastoreio, o Curupira, o Lobisomem e o Boto Tucuxí convivem com Anchieta,
João Ramalho, Bartolomeu de Gusmão, o Bacharel de Cananéia, a Tia Ciata e até mesmo
Rui Barbosa. Nele, os pastoris do norte, os pontos de macumba, as quadrinhas, os cantos do
Bumba Meu Boi, os provérbios e as frases feitas do povo do país pontuam a narrativa.
Nele as lendas indígenas e de todas as cores do Brasil estão presentes. Nele o herói de
nossa gente nasce preto retinto[114]
e ainda que seja filho do medo da noite foi parido por uma índia
tapanhumas[115] e, depois de
lavar-se na água encantada de uma cova que na verdade era a marca do pezão do
Sumé, do tempo que andava pregando o Evangelho de Jesus pra indiada, vira branco
louro e de olhos azuizinhos[116]
Em 1930 Mário deixaria cair, numa crônica sobre As cores do Brasil uma
distinção, preciosa para ele, entre a síntese e a enumeração escolhida.[117]. Macunaíma é síntese das
tradições que o autor reconhece como brasileiras porque não se limita a recolher fatos,
personagens, fala e mitos da tradição popular, mas porque o texto realiza aquilo que
para Mário eram os passos definidores de uma obra de espírito perfeitamente
nacional[118] : colher de
alguma boca popular[119] a
matéria prima de seu trabalho, catalogar[120]
o que foi recolhido; estudar esse material como ele o faz por exemplo, em 1930 na
crônica-exercício Nacionalização de um adágio[121] com uma quadra que, aliás, incluíra em Macunaíma; ordenar
o que antes de sua intervenção era apenas o caos popular [122]; ensinar de forma sistematizada uma vez
que todo e qualquer ensino tendente a desenvolver a imaginação criadora tem de
ser sistematizado muito entre nós.[123]
Ao contrário de Macunaíma, que ao final de sua saga constata que
Tudo o que fora a existência dele apesar de tantos casos tanta brincadeira tanta
ilusão tanto sofrimento tanto heroísmo, afinal não fora sinão um se deixar viver e
para dar na cidade do Delmiro ou na ilha de Marajó que são desta terra carecia ter um
sentido. E ele não tinha coragem para uma organização. [124]
a Mário nunca faltou a coragem para uma organização e para encontrar um sentido
para o que, para o povo, não era senão um se deixar viver. Por isso Mário agia
como se só ele soubesse o roteiro para chegar à Ilha de Marapatá, e nela
encontrar o mandacarú de dez metros, bem na ponta do qual Macunaíma deixara sua
consciência para que não fosse comida pelas saúvas.[125] Por isso recolhia, catalogava, ordenava, sistematizava e
ensinava o que era o Brasil, o caráter brasileiro. Em sua perspectiva, era o intelectual
e sua ação - ele mesmo, portanto - que definia o caráter brasileiro, descobrindo assim
o Brasil, uma vez que este, como o imperador do Mato Virgem, poderia ser heróico, mas
não tinha nenhum caráter.
O ato de descobrir o Brasil e o Brasileiro supunha para Mário a diluição da diversidade
regional num todo unívoco, uma vez que sua busca era, como a de parte dos modernos, a de
definir o caráter brasileiro . Talvez por isso temesse e criticasse tanto os
regionalismos: que em sua perspectiva se distanciava da integrante idéia de
nação.[126].
Mário pretende descobrir o Brasil como um todo, em seu ser mais profundo. Em 1925, ano da
primeira viagem a Minas, aquela que foi chamada a viagem da descoberta do
Brasil, Mário já dizia sentir-se brasileiro, e não paulista, e, ao contrário do
que afirmaria quatro anos mais tarde, duvidava da existência inclusive de uma língua
brasileira que sustentasse o todo. A tarefa do descobrimento se lhe apresentava então
ainda por fazer, sentida como um desejo e como uma falta física:
Queria ver tudo, coisas e homens bons e ruins, excepcionais e vulgares. Queria
ver, sentir, cheirar. Amar já amo. Porém você compreende demais, este Brasil
monstruoso, tão esfacelado, tão diferente, sem nada nem siquer uma língua que ligue
tudo, como é que a gente pode o sentir íntegro, caracterizado, realisticamente?
Fisicamente? Enquanto me penso brasileiro e você pode ter certeza que nunca me penso
paulista, graças a Deus tenho bastante dentro de mim pra toda essa costa e sertão da
gente, quando me penso brasileiro e trabalho e amo que nem brasileiro, me apalpo e me
parece que sou maneta, sem um poder de pedaço de mim, que eu não posso sentir embora
meus, que estão no mistério, na idealização, posso dizer que estou na saudade.
[127]
Em carta a Carlos Drumond de Andrade, também datada de 1925, assinala com veemência que não
estou fazendo regionalismo[128] e
a Prudente de Moraes Neto esclarece
Este meu nacionalismo não pensem que é chauvinismo e muito menos regionalismo.
É amor humano e único meio de nós brasileiros nos universalizarmos. Porque a maneira
com que um povo se universaliza é quando concorre com seu contingente particular e
inconfundível pra enriquecer essa coisa sublime, uniforme mas múltipla que é a
humanidade[129]
Por isso, quando em 1931 escreve uma crônica-carta na que pretende responder a
algumas críticas de Raimundo de Moraes, toma a desesperada ousadia de lhe
confessar o que é o meu Macunaíma[130]
e confere um valor heurístico à cópia, afirmando categórico eu copiei o
Brasil. Misturar completamente o Brasil inteirinho[131] , como dissera a Câmara Cascudo em 1927 ser
sua intenção em Macunaíma, era fugir ao regionalismo e encontrar o
Brasil-síntese buscado.
Em Macunaíma Mário se aproxima do que chamava de arte-açao. O
conceito de arte-açao, e do neologismo dele derivado no verbo artefazer,
conceito delimitado teoricamente em O artista e o artesão e que parece
permitir a Mário conviver com o impasse que sempre via presente na obra de arte: o de
harmonizar o primado do belo e a função social do artista, impasse que o fizera
escrever, no fim de sua vida, a um jovem escritor que o artista é o homem que
participa da vida e funciona nela por intermédio do valor estético que é a beleza
[132].
...Que a arte na realidade não se aprende. Existe, é certo, dentro da arte, um
elemento, o material, que é necessário por em ação, mover, para que a obra de arte se
faça. O som em suas múltiplas maneiras de se manifestar, a cor, a pedra, o lápis, o
papel, a tela, a espátula, são o material de arte que o ensinamento facilita muito a por
em ação. Mas nos processos de movimentar o material, a arte se confunde quase
inteiramente com o artesanato. Pelo menos naquilo que se aprende. Afirmemos (...) que todo
o artista tem que ser ao mesmo tempo artesão. Isso me parece incontestável e, na
realidade, (...) encontramos sempre, por detrás do artista, o artesão[133]
Mário distingue a arte-açao, por um lado da arte-individualista ou arte
erudita, esteticamente livre, que longe de sintetizar os processos de poetar do
povo revela unicamente a marca personalíssima do talento de seu autor.
Na visão de Mário, a arte individualista é a arte dos filhos da
felicidade[134], dos que, como
Henrique Oswald por exemplo, provinha(m) dum epicurismo fatigado e refinado por
demais pra abandonar suas liberdades em favor dessa conquista comum de uma nacionalidade
e content(aram)-se em viver o que individualmente era(m), sem nada abandonar de
si para se enfeiar com as violentas precariedades do nosso povo.[135]; ou a dos que, como Joaquim Serra ou
Catulo da Paixão Cearense, mesmo usando elementos populares, o que (...) tiram
do povo é apenas o elemento de curiosidade, de prazer. (...)Enfim, o popularesco de que
eles se servem é um exotismo romântico, laço de fita, enfeite para uma obra de arte
visceralmente individualista e que como individualista pode ser magnífica[136]. A arte individualista é sobretudo a arte
do ser orgulhoso.
A arte-ação, que a ela se opõe, tem sempre algo de messiânico[137] . É a arte do apaixonado,
ganancioso compartilhador da precariedade humana[138]
, a que é fruto não apenas da contemplação das coisas, mas também
da experiência delas[139].
É a arte dos que sabem receber do povo o que não é dado a uma vida humana ter,
aquela paciência do tempo acumulado que aprofunda e sintetiza as verdades[140]. É a arte dos que, como Juvenal
Galeno, buscaram inspiração no popularesco e se identificam
intimamente com, não só a vida do povo, mas com os próprios processos da poesia
popular[141], e por isso é arte
de fixação nacional. Mas é não é o que o povo faz. É exclusiva do artista, do
intelectual, que encontra em si o ser generoso
E se é verdade que reconhece o valor de ambas, historicamente sustenta que o momento
demanda o artista como ser generoso, conforme dizia em 1936 num discurso de Paraninfo, uma
vez mais sublinhando com o vocabulário como com a argumentação, o caráter religioso da
arte e do artista:
Há toda uma mística nova a envergar sobre os ombros, para que o destino não se
desvirtue na procura mesquinha do nosso bem pessoal. Não desprezo o indivíduo e sei
glorificar as criações, as forças e riquezas de que só ele é capaz: porém foram tais
os descaminhos humanos na exaltação egoística do indivíduo, que nos vemos num momento
agro do mundo em que qualquer idealidade tem de equiparar-se à religião, cujo resultado
é fundir[142].
Em 1929, Mário utiliza a diferenciação que criara entre arte-ação e arte
individualista para classificar sua própria obra:
(...) me parece fácil perceber que na minha obra há duas partes nitidamente
separáveis, a do ser afectivo e a do ser orgulhoso: a parte messiânica e a parte da
evasão. A primeira (prefácio e Enfibraturas da Paulicéia, Escrava, Primeiro
Andar que é demonstração de experiência , Clã quasi inteirinho, a parte ou
o sentido satírico de Macunaíma, Ensaio, Compêndio) é a parte
mais fraca, mais transitória, mais inteligente. Pra justificá-la existe a minha teoria
(minha por ser para mim) da arte ação, pragmatismo bem definido, bem
consciente, o clerc traidor e satisfeito de sua traição. É a que mais me orgulha como
homem. A outra é o individualista que se evade no descanso, em férias, muito mais
sofredor (o que parece contraditório), parte lírica, desinteligente[143]
Fiz e faço arte de ação , assinala em carta a Prudente de
Moraes, neto em 1936[144] . Artefazer é, em
resumo, a arte que ele, Mário, faz: a que descobre o Brasil no povo brasileiro e a este
povo revela o sentido desta pátria tão despatriada[145] .
Porque artefaz e ensina o que é arte-açao, diz sem nenhuma modéstia em carta a Manuel
Bandeira,
Eis porque, seu Manú, sou o homem mais antipatizado e mais irritante da
literatura moderna brasileira. Mas sou também dos mais úteis se não for o mais útil. E
eis também porque a crítica mais lúcida que se fez até agora de mim foi a que eu mesmo
fiz quando falei que a minha poesia, a minha arte toda, não é arte, é ação.[146]
Macunaíma é o brasileiro, e Mário, no primeiro prefácio que escreveu para o livro e
que não publicou[147] desvenda a razão
dessa identidade
O Brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria, nem
consciência tradicional [148]
Macunaíma é o Brasil. E por ser seu retrato do Brasil Mário o dedica a
Paulo Prado, um dos poucos intelectuais que escapam de sua crítica, por vezes mais ferina
que justa. Mário faz de Macunaíma herói de nossa gente assim como faz da vitória
régia, em 1930, a flor nacional,
Toda gente diante dela fica atraído, como Saint-Hilaire ou Martius, ante o
Brasil. Mas vão pegar a flor pra ver o que sucede! O caule e as sépalas, escondidos na
água, espinham dolorosamente. A mão da gente se fere e escorre sangue. O perfume
suavíssimo que encantava de longe, de perto dá náusea, é enjoativo como o que. E a
flor, envelhecendo depressa, na tarde abre as pétalas centrais e deixa ver no fundo um
bandinho nojento de besouros, cor de rio do Brasil, pardavascos, besuntados de pólen.
Mistura de mistérios, dualidade interrogativa de coisas sublimes e coisas medonhas,
grandeza aparente, dificuldade enorme, o melhor e o pior ao mesmo tempo, calma, tristonha,
ofensiva, é impossível a gente ignorar que nação representa essa flor... [149]
Macunaíma é também, por ser o herói um rapsodo, o próprio Mário. Isso é
Macunaíma e isso sou eu, escrevera o Mário-cronista em 1931[150]. Essa identificação entre o criador e a criatura aparece
sublinhada, quando Mário se dedica a artefazer sua memórias através das cartas, ele que
disse sei me abrir nas cartas, mas não sei, em corpo presente, confessar minhas
fraquezas[151], e que fazia da
correspondência um dos lugares privilegiados de sua própria memória,[152] cuidadosamente construída para a posteridade.
Na narrativa de Macunaíma, o herói por duas vezes morre e volta à vida[153] por artes de Maanape, seu irmão feiticeiro,
antes da morte definitiva, quando juntamente com a gaiola onde guardava o galo e a galinha
legorne, o relógio Patek, o revólver Smith-Wesson, que comprara por serem o que
mais o entusiasmara na civilização paulista[154],
vira a constelação da Ursa Maior por intervenção de outro feiticeiro, Pauí-Pódole, o
Pai do Mutum.[155]
Em suas cartas, Mário relata suas duas mortes em vida: a primeira quando baixa ao
purgatório de um posto de comando[156]
no serviço público e a segunda quando escreve O movimento modernista.
A primeira morte é por suicídio, no altar da arte-ação:
E também você sabe, você sabe muito bem, Murilo, o que significou pra mim a
minha... adesão ao Departamento de Cultura. Me lembro perfeitamente bem que disse também
pra você que encarava isso como um suicídio (...) porque não podia mais agüentar ser
um escritor sem definição política. O Departamento vinha me tirar do impasse
asfixiante, ao mesmo tempo que dava ao escritor suicidado uma continuidade objetiva à sua
´arte de ação´ pela arte. (...) Me suicidei sim porque tinha medo de mim mesmo.
[157]
e a segunda, a que coincide com suas memórias do modernismo, é assim descrita:
Na sua carta você me pergunta quando é a data do meu cinqüentenário, si vou
comemorar ele no Rio, sinão você vinha pra cá. Olha, Murilo, não só você, mas
vários amigos têm me falado, e até em jornal, tanto sobre essa data que o não é, que
afinal eu acabei seriamente preocupado com o meu cinqüentenário! Pra mim, em verdade o
meu cinqüentenário foi aquele momento apaixonado e saudável em que fiz a revisão de
mim, no Movimento Modernista. Alí eu completei cinqüenta anos e morri. Ou nasci,
que é mais simpático. [158]
Arte-fazer era, para Mário, escrever em brasileiro. Era fazer arte com a
paciência do artesão. Artefazer era assumir o serviço público no Departamento
Municipal de Cultura Cultural ou no Ministério. Era o sonho da Enciclopédia
Brasileira. Artefazer era escrever Macunaíma, obra vista em 1928 com olhos
muito mais benévolos que aqueles com os quais o autor vira sua obra em 1942:
...diante de Macunaíma estou absolutamente incapaz de julgar qualquer
coisa. As vezes tenho a impressão de que é a única obra-de-arte, de deveras artística,
isto é, desinteressada que fiz na minha vida[159]
4. Brasileiro, dorme![160]
Teria Mário de Andrade,
efetivamente, apenas colhido de alguma boca popular e copiado dos contadores
do Brasil[161] o material que arte-feito
por ele se transformaria em Macunaíma?
Jacques Revel, Michel de Certeau e Dominique Julia, em artigo intitulado A beleza
do morto: o conceito de cultura popular, chamam atenção para
o gesto que a retirou ao povo e a reservou aos eruditos ou aos amadores
a definição de uma cultura popular[162] ,
já que o saber permanece ligado a um poder que o autoriza [163], o saber daqueles que estudam, fixam o cânon
do autêntico e o interpretam, e que, independentemente de suas intenções, terminam por
excluir do povo o protagonismo cultural. Nessa sentido, afirmam os autores:
Se os processos científicos não são inocentes, se os seus objetivos dependem
de uma organização política, o próprio discurso da ciência deve confessar uma
função que lhe é autorizada por uma sociedade: esconder aquilo que pretende
mostrar.[164]
Ainda que seja necessário assinalar que a análise feita por esses autores esteja
referida a um tempo/espaço totalmente diverso daquele vivido por Mário de Andrade (a
França do século XVIII aos nossos dias), o que exige precauções, as questões por eles
levantadas podem ser úteis para a compreensão do Mario-rapsodo, de sua produção e
mesmo de suas angústias.
Os autores assinalam algumas constantes no trabalho sobre o popular e a cultura: a
revelação de um mito original nas manifestações populares, sua associação,
por um lado, ao ser próximo à natureza, ao verdadeiro, ao ingênuo
e ao espontâneo, de tal modo que, em grande parte das análises o povo é
uma criança cuja pureza original convém proteger[165] e, por outro, a revelação do reverso de um medo:
o da cidade perigosa e geradora de corrupção que leva a um regresso à pureza
original do interior, símbolo das virtudes autênticas, conservadas desde os tempos mais
remotos[166]
Também para Mário o popular é o original e o autêntico, o que está mais próximo à
natureza. Em toda a obra do autor, como observa Telê Porto Ancona Lopez, a conotação de
civilização, atribuída ao que é primitivo é uma constante. Em Macunaíma, esta
associação aparece reforçada na ficção. E em uma de suas crônicas, referida ao
huitota de Nanay, o tema aparece novamente.[167]
(...)Estou me lembrando agora de mais dois passos que guardo na memória
deslumbrada. Um deles foi do cantador nordestino, Chico Antonio, mas falarei dele noutro
lugar. O outro foi dum indígena peruano da tribo dos Huitota. Andou na minha frente um
estirão pesado quando fui de Nanay até a Maloca da tribo dele, faz dois anos. O caminho
parecia trilha de gado, caracteristicamente eu não cabia nele. Coisa aliás que machucou
bastante as minhas veleidades a descendente da seiscentista dona Méssia Fernandes e por
ela, de Paquirobi, cacique Hururahy. Mas tive que me conformar com a não remanescência
desses passados vãos: lá fui, pisando campo verde. O índio, na minha frente, não é
que dançasse, andava, mas os passos dele tinham uma fluidez quase bailarina e tão
pacífica que a morosidade da tarde vinha buscar neles um vento para se estimular. Andavam
rápidos, sem certeza de chegar, sem nenhum som, mas completos, pés na terra eram terra e
no ar se faziam ar numa invisibilidade perfeita. Esse índio era feio, negrejante por
causa do jenipapo. Os pés dele também, um triângulo chato. Mas estes pelo menos ainda
eram bem natureza, naquele corpo de calça e paletó, pedindo que mais pedindo meus soles
e seus quebrados prás cachaçadas futuras. Não podendo simpatizar com o civilizado,
amei-lhe os pés, que eu também me pretendo entre os amantes da natureza. Quando permito
que o passado se lembre de mim, ás vezes sinto esses pés huitota andando na minha
memória. E a medida que o tempo me afasta deles, vão ficando cada vez mais passos e cada
vez mais memória. Isto é: cada vez mais velozes e cada vez mais lindos. É possível
até que nem fossem tão maravilhosos assim, mas eles têm a seu favor o serem já agora
incontroláveis e a comoção que me deram um dia. Só eu os posso identificar com a minha
memória, e só pelo que está neste papel é que os homens podem saber o que foram esses
passos. [168]
Também para Mário a cidade grande é sinônimo de morte, de pressa desumanizadora e de
corrupção. E é para mostrar o quanto ela era ruim e devorava os homens que
ele explica ao menino Benedito, negrinho que conheceu na Fazenda Larga e para quem a
cidade era a única obsessão de sua vida, que não podia levá-lo com ele
para a enorme cidade[169] e não
sem razão as insígnias que Macunaíma leva de São Paulo quando volta ao mato-virgem
são um relógio Patek e um revólver Smith-Wesson.
Mário quis proteger o menino Benedito, viu no huitota de Nanay o homem-natureza e
procurou desvendar o caráter de Macunaíma, o herói de nossa gente.
No entanto, sempre lúcido e sensível, não deixou de observar que o povo é sempre
um segredo[170] e, mesmo ao
compará-lo diretamente com uma criança, numa quase-ilustração aos argumentos de Revel,
Certeau e Julia, reconhece que o povo o desconcerta
... os homens populares (...) desnorteiam. São como as crianças a quem a mãe
ensinou uma graça. Até sem se pedir Zézinho repete a graça, mas quando se pede para
fazê-la pra visita importante se divertir, não vê! Nem a pau Zézinho repete a graça.
As almas dos homens populares são visibilíssimas. Porém jamais se tem segurança delas.
Escapolem da nossa compreensão, numa barafunda admirável, entre iluminações e
bobagens, filosofia profunda e precariedades intelectuais. Daí minha paixão pela
literatura popular, livre da literatice, livre da facilidade, sem rei nem roque, um
mundo![171]
Desconcertado, deixa registrada sua perplexidade quase como um lamento:
Oh vós, homens que viveis no sertão, porque me tratais assim! Eu quero ser como
vós, vos amo e vos respeito![172]
Mário vive em profundidade as contradições dos que, por um lado intuem a força do povo
- esse coletivo tão indefinido - e o respeitam e, por outro lado, cumprem o destino dos
letrados sempre convencidos da sua missão de intérpretes e descobridores. Reconhece em
si o que chama de minha paixão pela coisa popular[173] e diz viver apaixonadamente imerso no
populário[174], mas se refere ao
povo inculto mesmo quando é para reconhecer nele o agente que está
criando aqui uma música nativa que está entre as mais belas e mais ricas[175], talvez porque só a si mesmo atribua a
missão de despertar no povo brasileiro uma consciência social de raça[176] e o mais difícil e assustador dos problemas
brasileiros que identificava em seu tempo, o da construção da consciência de
uma nacionalidade[177].
Revel, De Certeau e Julia concluem sua discussão sobre o conceito de cultura popular de
forma provocativa, afirmando que sem dúvida será sempre necessário que haja um
morto para que haja discurso [178] e,
ao analisar o trabalho dos folcloristas, parecem fornecer uma conclusão adequada a este
trabalho e referir-se ao próprio Mário, que se reconhecia como folclorista amador:
O seu interesse é o reverso de uma censura: uma integração ponderada. A
cultura popular define-se assim como um patrimônio, segundo uma dupla rede histórica (a
interpretação dos temas garante uma comunidade de história) e geográfica (a sua
generalização no espaço atesta a coesão deste último)[179].
No entanto é o Mário-poeta que pede a última palavra, através de um poema intitulado,
justamente, Descobrimento: não é a um morto que quer cantar, mas a um
homem adormecido:
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De sopetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando para mim.
Não vê que me lembrei, lá no Norte, meu Deus!
[muito longe de mim,
Na escuridão da noite que caiu,
Um homem pálido, magro, de cabelo escorrendo nos olhos
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou , está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...[180]
BIBLIOGRAFIA:
ANTELO, Raul: Na ilha de Marapatá.
JARDIM DE MORAES, Eduardo: A brasilidade modernista
FOOT HARDMANN,
GINZBURG, Carlo: Mitos, emblemas, sinais. Morfologia e História. São Paulo
Companhia das Letras, cfrxxx
KOSSOVITCH, Elisa Angotti: Mário de Andrade, plural. Campinas, Editora Unicamp,
1990.
NGOTTILISA ANGOTTI: MÃRIO DE ANDRADE, PLURAL.
LE GOFF, Jacques: Enciclopédia Einaudi.
MARAVALL
MELLO E SOUZA, Gilda: O Tupi e o alaúde.
NORA
ORLANDI, Eni Pulcinelli: O discurso Fundador.
RAMA
REVEL,
Revista do Arquivo
[*]
Este texto é produto do Projeto Integrado de Pesquisa Os Descobridores: Mario
de Andrade, Capistrano de Abreu e os Descobrimentos do Brasil,
desenvolvido com o apoio do CNPq. O texto não existiria sem o trabalho sério e o
profissionalismo dos Bolsistas de Aperfeiçoamento Alexandre Affonso de Miranda Pereira e
Silvia Ilg Byington, assim como dos bolsistas de Iniciação à Pesquisa Daniel Mesquita
Pereira, Renata Corrêa Tavares Barbosa e Roberta Martinelli e Barbosa. Sem a competência
e a amizade do Professor Ilmar Rohloff de Mattos, parceiro deste e de tantos outros
descobrimentos e que comigo coordenou a equipe de pesquisa, não existiriam nem o projeto
nem a certeza de que a viagem valeu a pena.
[1] - MARIO DE ANDRADE:
Anhangabaú. IN: Poesias Completas. Villa Rica: Belo Horizonte/Rio de
Janeiro, 1993. p. 92.
[2] - APUD JACQUES LE GOFF: Memória
IN: Memória - História. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 191984.
(Enciclopédia Einaudi vol 1).
[3] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945) Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1981. p.69. (carta de 27/02/1940)
[4] - IDEM. Ibidem. p. 67 a 69.
[5] - LE GOFF, Jacques: Op. cit. p. 46.
[6] - RAMA, Angel: A cidade das Letras. São
Paulo: Brasiliense, 1985.
[7] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945) Op. Cit. p.18. (carta de 06/07/1935).
[8] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário de
Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Villa Rica, 1991. p. 139 e 140.
(cartas de 17/07/1935 e 15/04/1936)
[9] - MARIO DE ANDRADE APUD Antonio Candido:
Prefácio IN DUARTE, Paulo: Mário de Andrade por ele mesmo. São Paulo:
Huicitec/Secretaria de Cultura, 1976. P. 36 (a carta mencionada é de abril de 1941).
[10] - MARIO DE ANDRADE: A arte religiosa
no Brasil. São Paulo: Experimento, 1993.pp. 21 a 38.
[11] - MARIO DE ANDRADE:
Cristo-Deus (crônica publicada no Diário de Notícias de 18/10/1931).
IN: Taxi e crônicas no Diário Nacional. São Paulo: Duas Cidades/Secretaria de
Cultura, 1976. p. 447 e 448.
[12] - IDEM.Ibidem. p. 285 e 383. (crônicas
de 07/12/1930 e de 14/06/1931).
[13] - KOIFMAN, Georgina (org): Cartas de
Mário de Andrade a Prudente de Moraes Neto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p.
248.
[14] - MARIO DE ANDRADE: Aspectos da
Música Brasileira. Belo Horizonte: Villa Rica, 1991. p. 16 e 17.
[15] - IDEM. Ibidem. p. 21.
[16] - IDEM. Ibidem. p. 23.
[17] - IDEM. Ibidem. p. 23.
[18] - IDEM. Ibidem. pp. 25 e 26.
[19] - IDEM. Ibidem. p. 18.
[20] - IDEM. Ibidem. pp. 19 e 20.
[21] -IDEM. Ibidem. p. 11.
[22] - Cfr. MARAVALL, Jose Antonio: Antiguos
y modernos. La idea de progreso en el desarrollo inicial de una sociedad. Madrid:
Sociedad de Esatudios y publicaciones, 1966.
[23]- MARIO DE ANDRADE: O Movimento
Modernista IN:BERRIEL, Carlos E. O (org): Mário de Andrade hoje. São Paulo,
Editora Ensaio, 1990. Cadernos Ensaio 4 (Série Grande Formato) p. 26.
[24] - IDEM. Ibidem. p. 15.
[25] - IDEM. Ibidem. p. 28.
[26] - IDEM. Ibidem. p. 18 e 19.
[27] - IDEM. Ibidem. p. 21.
[28] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 50 (carta de 03/02/1926)
[29] - MARIO DE ANDRADE: O Movimento
Modernista IN: Op. Cit. p. 18.
[30] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 59 (carta de 21/04/1926).
[31] - MARIO DE ANDRADE: O Movimento
Modernista IN: Op. Cit. p. 19.
[32] - IDEM. Ibidem. p. 36.
[33] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 102. (crônica de 10/05/1929).
[34] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a um jovem
escritor,. Rio de Janeiro: Record,1993. p. 128.
[35] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945). Op. cit. p. 176. (carta de 09/12/1944)
[36] - Jacques LE GOFF: Op. Cit. P. 46.
[37] - MARIO DE ANDRADE: Louvação
Matinal IN: Poesias Completas. Op. Cit. p. 257.
[38]- MARIO DE ANDRADE: Eu sou
trezentos... IN:Poesias Completas. Op.Cit. p. 92.
[39] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945). Op. cit. p. 137. (carta de 09/12/1942).
[40] - MARIO DE ANDRADE: Poesia Completa
. Op. Cit. p . 87. A poesia Tietê foi escrita entre 1920 e 1921 e publicada
em Paulicéia Desvairada..
[41] - Macunaíma. O herói sem nenhum
caráter. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Villa Rica, 1993. (29ª ed. - texto revisto
por Telê Porto Ancona Lopez). p. 10.
[42] - IDEM. Ibidem. p. 29.
[43] - MORAES, J. A . Leite: Apontamentos
de Viagem. São Paulo: Companhia das Letras1995 (organização de Antonio Candido)
[44] - Cfr. MÁRIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. Pp. 21, 30 e 34.
[45] - Subtítulo de seu diário de viagem,
publicado postumamente como O turista aprendiz. (São Paulo: Duas Cidades, 1976.)
[46] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit.. p. 42. ( carta de 04/10/1925)
[47] - IDEM. Ibidem. p. 131. ( carta de
10/05/1934)
[48] - IDEM. Ibidem. p. 35. (carta de
26/06/1925)
[49] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 163 e 164. (crônica de 05/12/1929).
[50] - IDEM. Ibiden. p. 598. (crônica de
11/09/1932).
[51] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 34 . (carta de 26/09/1924.)
[52] - IDEM. Ibidem. p. 92. (carta de
06/08/1929)
[53] - IDEM. Ibidem. p. 111. (carta de
18/07/1931)
[54] - IDEM. Ibidem. p. 96. (carta de
20/05/1930)
[55] - a foto, que Mário intitulou
sombra minha, foi tirada em 1927 e pertence ao acervo do IEB-USP.
[56] - Mário dedica o ano de 1943 a preparar
a edição definitiva d O turista aprendiz, reunindo em forma de um diário
de viagem suas observações das viagens de 1927 e de 1928/1929. Dessa última, parte
havia sido publicada em forma de crônicas e com esse título no Diário Nacional.
[57] - Mário usara essa expressão em
crônica de 05/12/1929, intitulada Amazôniaª, ao afirmar: ...através da
escritura de Gastão Cruls ando agora numa reviagem dolente e muito sensível pela
Amazônia que eu vi. Cfr. MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas no Diário Nacional.
Op. Cit. p. 163.
[58] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p.135. (carta de 10/11/1934)
[59] - cfr. Idem. Ibidem. p. 34.
[60] - Cfr. Taxi e crônicas no Diário
Nacional Op. Cit. pp. 27, 26, 65 e18.
[61] - MARIO DE ANDRADE: O artista e o
artesão. IN: O baile das quatro artes. São Paulo: Livraria Martins Editora,
1975. (3ª ed.) p. 28.
[62] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 34 (carta de 26/09/1924)
[63] - Carlo GINZBURG: Sinais, raízes
de um paradigma indiciário. IN; Mitos. Emblemas. Sinais. Morfologia e História.
São Paulo: Companhia da Letras, 1989.
[64] - Angel RAMA: A cidade das Letras. Op.
Cit. P. 53.
[65] - MARIO DE ANDRADE: Enciclopédia
Brasileira. São Paulo: Loyola/EDUSP, 1993. p. 26.
[66] - IDEM. Ibidem. pp. 6 e 22
[67] - IDEM. Ibidem. Pp. 6, 37 e 63.
[68] - MARIO DE ANDRADE: Macunaíma. O
herói sem nenhum caráter. Op. Cit. p. 31.
[69] - IDEM. Ibidem. p. 59.
[70] - IDEM. Ibidem. p. 9.
[71] - IDEM. Ibidem. p. 107.
[72] - IDEM. Ibidem. p. 23.
[73] - IDEM.Ibidem. p. 85.
[74] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a um jovem
escritor. Op. Cit. P. 30 (carta de 16/02/1942).
[75] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 434. (crônica de 20/09/1931).
[76] - IDEM. Ibidem.
[77] - MARIO DE ANDRADE: Macunaíma. O
herói sem nenhum caráter. Op. Cit. p. 31
[78] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 75 (carta de 01/03/1927).
[79] - MARIO DE ANDRADE: Macunaíma. O
herói sem nenhum caráter. Op. Cit. p. 9.
[80] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 429. (crônica de 13/09/1931).
[81] - MARIO DE ANDRADE: Entrevista concedida
ao jornal A Noite. Rio de Janeiro, 12/12/1925. IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op.
Cit. pp. 145 a 150.
[82] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 429. (crônica de 22/03/1931). Trata-se de uma
crônica sobre Álvares de Azevedo em que Mário afirma que esse autor muito mais
ainda que Nabuco, foi um ser que viveu de corpo no Brasil e de espírito na Europa
[83] - IDEM. Ibidem. p. 150.
[84] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 449. (crônica de 25/10/1931).
[85] - IDEM. Ibidem. p. 253. (crônica de
21/09/1930.
[86] - IDEM. Ibidem. p. 227, (crônica de
27/07/1930).
[87] - IDEM. Ibidem. p. 235, (crônica de
10/08/1930).
[88] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 355. (crônica de 22/03/1931).
[89] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 50. (carta de 03/02/1926).
[90] - JARDIM DE MORAES, Eduardo: A
modernidade modernista. Sua dimensão filosófica. Rio de Janeiro: Graal, 1978.
[91] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 493. (crônica de 31/01/1932).
[92] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 84. (carta de 22/01/1928).
[93] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945). Op. cit. p. 137. (carta de 09/12/1942)
[94] - carta de MARIO DE ANDRADE a Prudente de
Moraes Neto IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op. cit. p. 122.
[95] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de Mário
de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 31 . (carta de 14/08/1924).
[96] - IDEM. Ibidem. p. 150. (carta de
09/06/1937).
[97] - MARIO DE ANDRADE: Entrevista concedida
ao jornal A Noite. Rio de Janeiro, 12/12/1925. IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op.
Cit. p. 150.
[98] - IDEM. Ibidem. Loc. cit
[99] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 127. (crônica de 22/06/1929).
[100] - MARIO DE ANDRADE: Entrevista
concedida ao jornal A Noite. Rio de Janeiro, 12/12/1925. IN: KOIFMAN, Georgina
(org): Op. Cit. p. 149.
[101] - MARIO DE ANDRADE: O carro da
miséria IN: Poesias Completas. Op. Cit. p. 292.
[102] - MÁRIO DE ANDRADE: Macunaíma.
Op. Cit. pp. 134 e 135.
[103] - IDEM. Ibidem. p. 109.
[104] - IDEM. Ibidem. p. 31.
[105] - IDEM. Ibidem. p. 108.
[106] - IDEM. Ibidem. p. 108.
[107] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 434. (crônica de 20/09/1931).
[108] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de
Mário de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit.. p. 33. ( carta de 26/09/1924).
[109] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 111. (crônica de 25/05/1929).
[110] - MÁRIO DE ANDRADE: Macunaíma.
Op. Cit. p. 69.
[111] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 433. (crônica de 20/09/1931).
[112] - MÁRIO DE ANDRADE: Macunaíma.
Op. Cit. p. 66.
[113] - IDEM. Ibidem. p. 59.
[114] - IDEM. Ibidem. p. 9.
[115] - IDEM. Ibidem. p. 9.
[116] - IDEM. Ibidem. p. 30.
[117] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 263. (crônica de 05/10/1930).
[118] - IDEM. Ibidem. p. 449. (crônica de
25/10/1931).
[119] - IDEM. Ibidem. p. 231 (crônica de
08/08/1930).
[120] - IDEM. Ibidem. p. 205. (crônica de
30/05/1930).
[121] - IDEM. Ibidem. p. 205. (crônica de
30/05/1930).
[122] - IDEM. Ibidem. p. 449. (crônica de
25/10/1931).
[123] - IDEM. Ibidem. p. 277. (crônica de
23/11/1930).
[124] - MÁRIO DE ANDRADE: Macunaíma.
Op. Cit. p. 131.
[125] - IDEM. Ibidem. p. 29.
[126] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de
Mário de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit.. p. 39. (carta de 06/09/1925)
[127] - IDEM.Ibidem. p. 35. Carta de
(26/06/1925)
[128] - MARIO DE ANDRADE: Carta de
18/02/1925 a Carlos Drumond de Andrade. IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op. cit. p. 76 a 78..
[129] - Carta de Mário de Andrade a
Prudente de Moraes, neto IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op. cit. p. 76.
[130] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 433. (crônica de 20/09/1931).
[131] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de
Mário de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. Loc. Cit.
[132] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a um
jovem escritor. Op. Cit. p. 110. (carta de 02/02/1944.)
[133] - MARIO DE ANDRADE: O artista e
o artesão IN: O baile das quatro artes. Op. Cit. p. 11.
[134] - MARIO DE ANDRADE: Cultura
Musical IN: Aspectos da Música Brasileira. Op. Cit. p. 186.
[135] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 387. (crônica de 21/06/1931).
[136] - IDEM. Ibidem. p. 352. (crônica de
15/03/1931)
[137] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a um
jovem escritor. OP. Cit. p. 59 (carta de 09/10/1942).
[138] - MARIO DE ANDRADE: Cultura
Musical IN: Op. Cit. p. 187.
[139] - IDEM. Ibidem. loc. cit.
[140] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 352. (crônica de 15/03/1931)..
[141] - IDEM. Ibidem. p. 131.
[142] - MARIO DE ANDRADE: Cultura
Musical IN: Op. Cit. p. 195.
[143] - KOIFMAN, Georgina (org): Cartas
de Mário de Andrade a Prudente de Moraes, neto. Op. Cit. p. 294.
[144] - IDEM. Ibidem. p. 37.
[145] - MARIO DE ANDRADE: Cartas de
Mário de Andrade a Luís da Câmara Cascudo. Op. Cit. p. 124.
[146] - IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op.
Cit. p. 252.
[147] - O prefácio só foi divulgado em
1972, pelo Instituto de Estudos Brasileiros (I.E.B.) da USP.
[148] - IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op.
Cit. p. 264.
[149] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. pp. 183 e 184. (crônica de 07/01/1930).
[150] - IDEM. Ibidem. p. 434. (crônica de
20/09/1931)
[151] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945). Op. cit. p. 55. (carta de 17/01/1940)
[152] - O conceito de lugares de
memória tal como utilizado aqui está referido ao texto de NORA, Pierre:
Entre mémoire et Histoire. La problématique des lieux. IN: Les lieux de
la mémoire: La République. Paris, Gallimard, 1984. Pp. XVI a XLII.
[153] - MÁRIO DE ANDRADE: Macunaíma.
Op. Cit. pp. 35 e 92.
[154] - IDEM. Ibidem. p. 107.
[155] - IDEM. Ibidem. p. 133.
[156] - MARIO DE ANDRADE: Cultura
Musical IN: Op. Cit. p. 186.
[157] - MARIO DE ANDRADE: Cartas a Murilo
Miranda (1934-1945). Op. cit. p. 39. (carta de 11/11/1936)
[158] - IDEM. Ibidem. p. 142 e 143. (carta
de 14/06/1943).
[159] - Carta de Mário de Andrade a
Tristão de Athayde (19/05/1928). IN: KOIFMAN, Georgina (org): Op. Cit. pp. 269 e 270.
[160] - MARIO DE ANDRADE: Acalanto do
seringueiro (Dois poemas acreanos) IN: Poesias Completas. P. 206.
[161] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 433. (crônica de 20/09/1931).
[162] - REVEL, Jacques, CERTEAU, Michel de e
JULIA, Dominique: A beleza do morto: o conceitro de cultura popular. IN: A
invenção da sociedade. Lisboa/Rio de Janeiro: Bertrand/DIFEL, 1989. P. 50.
[163] - IDEM. Ibidem. P. 51.
[164] - IDEM. Ibidem. Loc. cit.
[165] - IDEM. Ibidem. Pp. 56 e 57.
[166] - IDEM. Ibidem. P. 52.
[167] - LOPEZ, Telê Porto Ancona: cfr. Nota
2 IN. MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 178.
[168] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 173. (crônica de 22/12/1929).
[169] - MARIO DE Andrade: Será o
Benedito! IN: Será o Benedito! Artigos publicados no Suplemento em Rotogravura
de O Estado de São Paulo. São Paulo: EDUC/Giordano/Ag. Estado, 1992. Pp. 66 a
70.
[170] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 321. (crônica de 18/01/1931).
[171] - IDEM. Ibidem. P. 227. (crônica de
27/07/1930)
[172] - IDEM. Ibidem. P. 219. (crônica de
06/07/1930). Curiosamente, o homem do sertão a que se dirige Mário nesta
crônica é um pescador de Araraquara de nome João Gabriel.
[173] - MARIO DE ANDRADE: O samba
rural paulista IN: Aspectos da música brasileira. Op. Cit. P. 127.
[174] - MARIO DE ANDRADE: Taxi e
crônicas no Diário Nacional. Op. Cit. p. 223. (crônica de 13/07/1930).
[175] - MARIO DE ANDRADE: Pequena
história da música. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987 (9ª ed.) p. 179.
[176] -MARIO DE ANDRADE: Taxi e crônicas
no Diário Nacional. Op. Cit. p. 155 (crônica de 01/11/29).
[177] -IDEM. Ibidem. Op. Cit. p. 267.
(crônica de 02/11/1930).
[178] - REVEL, Jacques ET. Al. Op. Cit. p.
75.
[179] - IDEM. Ibidem. Pp. 56 e 57.
[180] - MARIO DE ANDRADE:
Descobrimento (Dois poemas acreanos) IN: Poesia Completa.
Op. Cit. p. 203. Sua primeira publicação foi em Clan do Jabotí, de 1927.
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