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1898 - Nasce no dia 30 de dezembro, em Natal (RN), único filho do coronel Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Anna da Câmara Cascudo. Os seus três irmãos faleceram ainda na infância (Diógenes Lima, p.19)

"Nasci na rua Senador José Bonifácio que ninguém sabia em Natal quem fora. Toda gente a dizia Rua das Virgens, no bairro da Ribeira. Sou, pois, canguleiro." (O Tempo e Eu, p.29)

1913 - Muda-se para a "Vila Amélia", rica chácara no bairro do Tirol .

"Fundou-se o Principado do Tirol, com toda a hierarquia aristocrática, reuniões mensais com frios requintados... Meus primeiros artigos e livros nasceram nesse clima... Para ali fui rapazinho de 15 anos e saí aos 34, casado e com um filho." (O Tempo e Eu, p.66).

1914 - Seu pai, Francisco Justino de Oliveira Cascudo funda o jornal A Imprensa no dia 7 de setembro.

"Foi o "jornal dos novos", a voz operária, sem compromissos políticos e subvenções limitadoras." (O Tempo e Eu, p.36)

1915 - Começa a trabalhar como repórter no jornal do pai. (Diógenes Lima, p.71)

"Agora, repórter eu já fiu. Lembro-me que, quando íamos entrevistar, nossa liberdade era grande. Se o homem não dizia nada, a gente inventava." (Diogenes Lima, p.71)

1919 - Morou na rua Cassiano no. 2 no Rio de Janeiro.(Diógenes Lima, p.69)

1920 - Nos anos 20, estudou medicina em Salvador e no Rio, com intenções de ganhar um laboratório do pai e tornar-se pesquisador como Pasteur e Oswaldo Cruz. (Mais!, p.4)

"Quando estudei medicina só se aprendia a arquitetura do homem, a criatura biológica, ossatura, funções, reprodução. Não se estudava o homem como criador de cultura." (Diogenes Lima, p.70)

"De 1920 a 1926, quantos tipos de rapazes e meninas ensinaram-me muito mais do que aprenderam comigo!" (Diogenes Lima, p. 71)

1922 - Referência ao fato de Monteiro Lobato tê-lo visto com sua bengala de cana-da-Índia "no São Paulo de 22". (O Tempo e Eu, p.215); referência ao Rio de Janeiro em 1922 : "Aquele rapaz do meu tempo carioca...o meu rapaz de 1922." (O Tempo e Eu, p. 251); Visita a Exposição Universal do Rio de Janeiro, em novembro; Visita a agência jornalística "A Americana" (Araújo, 1995, p.104)

1925 - Delegado do Rio Grande do Norte no VIII Congresso Nacional de Geografia; Orador do Instituto Arqueológico nas festas do Centenário de D. Pedro II.

"Estou ansiado, triste e só. Há poucos meses é que o meu Estado iniciou um movimento de atenção ao derredor de mim. É terrível. E estou ficando velho. Velho sem ter aqueles olhares de inimigo. O inimigo era o meu ritmo. Britava por ele as minhas asperezas angulares. Este olhar de atenção curiosa que se cerca está me ... mastigando. Estou moralmente de sobre-casaca. E de lenço vermelho. E jogando gamão debaixo da árvore. E me interessando pela política. Me mizerum..."( Carta a MA, 30/12/25)

1927 - Encontro com Mario de Andrade. Passam juntos um dia em Natal.

1928 - Formou-se na Faculdade de Direito de Recife (Ciências Jurídicas e Sociais); nomeado professor interino do Ateneu Norte-Riograndense. (O Tempo e Eu, p.48)

Na juventude, usava monóculo, polaina e uma bengala da Índia. Era elegante, disputado pelas moças de Natal. Com a finalidade de ter seu próprio laboratório e para ser um doutor, como convinha ao status de sua família, estudou medicina na Bahia e no Rio de Janeiro. Abandonou o curso no quarto ano, resolveu estudar na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou neste ano. (Diógenes Lima, p.21)

"Sou como toda a gente um bacharel formado!" (O Tempo e Eu, p.48); "Ensinava História em colégios e cursos particulares. Fiz, desta forma, minha entrada no magistério estadual, onde penso não haver deixado rasto de lama, cinza e tisna." (O Tempo e Eu, p.41)

1929 - Casa-se com Dáhlia Freire, em 21/04; nomeado Diretor do Ateneu; "Todo o meu ultra lindo livro sobre Olinda parou. Estou advogando,seu Mario! Um encanto. Ai! A praxe forense! Que livrão a gente contar o que vem a ser o foro e suas inacreditáveis asnidades..." (Carta a MA, 3/9/29)

1930 - O pai de Cascudo, um comerciante que sempre havia gozado de excelente situação financeira, entra em dificuldades. (Diógenes Lima, p.18); entra para o quadro dos advogados da Great Western; nomeado deputado estadual por Juvenal Lamartine, Presidente do Estado do Rio Grande do Norte. O mandato durou dois dias, foi destituido na Rev. de 30. (O Tempo e eu.); Passa a diretoria do Ateneu para assumir a cadeira de deputado.

1931   - "Sigo o carro. Apareceu Augusto Bacurau, fiscal do selo, veterano de Placido de Castro, homem moreno seco, rispido e meu compadre. Casado com uma irmã de Juarez Távora.. E resolveu "fazer" um livro comercial-industrial-histórico-revolucionário-etc de "todo-o-Brasil". Também um "indicador comercial" tipo Thomas’ Register e mais coisas. Os Távoras munem o cunhado de cartas de apresentação e de recomendação. Fernandes Távora é Interventor no Ceará e Juarez é delegado Federal no Norte. Este é que dará apresentações para o Sul e o mano para o Norte além das amizades pessoais de Bacurau e minhas. Assim lá vou eu com o oiro da tarde pagar para subir o Amazonas... Bacurau insiste que eu seja o diretor-artístico-literário-histórico-escrevente-revisor dos trabalhos com igualdade nos ganhos." (Carta de 7/1/31).

Nasce o filho Fernando Luis.

Projeto de uma Escola de Música, onde Cascudo ensinaria História da Música.

Dirigiu A República em junho: "Fiquei como um homem armado de florete contra uma malta de capoeiras armada de banda de tijolo." (Carta a MA, 01/08/31)

1932 - A família Cascudo perde a Chácara do Tyrol, mudando-se para a casa da ladeira na av. Junqueira Alves, "aquela que sobe para a cidade alta".

Professor interino de História; crise financeira; torna-se líder dos integralistas no RN (Mais!, p.5)

1933 - Professor de História da Música no recém fundado Instituto de Música do RN.

Participa do triunvirato de chefia da AIB-RN, integrando o primeiro grupo dirigente da AIB no Rio Grande do Norte. Participavam da chefia além de Cascudo, mais dois nomes, Francisco Véras Bezerra e Miguel Seabra Fagundes. (SPINELLI, p. 173)

"Em 1933, arrebatado em louvação a Plínio Salgado em Natal..." (O Tempo e eu, p.230) Pede o seu endereço a Mario de Andrade, (Carta a MA,de 5/6/33).

1934   - Viagem em comitiva oficial, liderada pelo interventor Mario Câmara, ao interior do Rio Grande do Norte (16 a 29 de maio). Faz esta viagem a convite do Interventor (CÂMARA CASCUDO,1984, p.07) . Cascudo integra a comitiva como chefe regional integralista, chefia regional assumida neste ano.

1935 - Morte do Coronel Cascudo, seu pai; viaja para o Rio de Janeiro(dois registros: na última página de O que o integralista deve saber, com referências ao seu encontro com Plínio Salgado e outros membros da AIB e em cartas para Mário de Andrade, de 25/03/35 e 04/05/35.)

1936 - Nasce sua filha Ana Maria.

1937 - "Minha situação aqui é asfixiante e besta. Ganho uma miséria como professor e as dez pessoas da família que sustento não podem esperar pão de outra parte. Nada posso nem devo solicitar ao governo e o mesmo a oposição."( Carta a MA, de 06/37)

1938 - Recebe uma comenda de Mussolini por conta do livro Em Memória de Stradelli. (Mais!, p.5) e se desligou do movimento integralista quando este tentou derrubar Getúlio Vargas. (Mais!, p.5)

1942 - Devolveu a comenda dada por Mussolini quando soube do ataque dos submarinos italianos aos navios mercantes brasileiros (Mais!, p.5)

"Durante a Guerra, 1942-1945, trabalhando na Defesa Civil de Natal, frequentei Parnamirim Field, base norte-americana..." (O Tempo e Eu, p.267)

1944 - No Rio de Janeiro, abril, maio e junho, para "curso técnico de Defesa civil. Desde setembro de 1942 estou enrolado neste serviço, a disposição da Chefia de Polícia daqui." (Carta a MA de 29/2/44).

1946 - Promovido para a "última letra na escala burocrática e funcional"(checar o cargo) pelo Interventor Ubaldo Bezerra (o Tempo e EU, p.41).

1948 - Recebe, por decisão do prefeito Sylvio Piza, em 25 de dezembro, o diploma de pergaminho de Historiador da Cidade de Natal e a miniatura em ouro da chave da cidade (Diogenes Lima, p.215)

1950 - Nomeado Diretor do Museu e Arquivo pelo Governador José Augusto Varela, "liberto da penitência de lavrar atas no Tribunal de Justiça, onde era secretário". (O Tempo e Eu, p.41)

1951 - É nomeado professor da Faculdade de Direito (O Tempo e Eu, p.41) pelo Governador Silvio Piza Pedrosa.

1954 - "Sempre fiz um livro pensando no outro, que começaria logo em seguida. Sabe como surgiu o Dicionário do Folclore? Era inicialmente um simples caderninho de notas para facilitar o meu trabalho. Foi crescendo tanto que quando me apercebi já estava com um trabalho pronto." (Diogenes Lima, p.72-73)

1955 - Em 31 de dezembro, o prefeito Wilson Miranda de Oliveira sancionou a Lei Municipal no. 341, denominando Câmara Cascudo a rua em que este nasceu, com uma placa de bronze. (Diogenes Lima, p.215)

1956 - Integrou por designação do Ministério das Relações Exteriores, a nossa missão cultural no Uruguai, pronunciando conferências na cidade de Montevidéu. (Diogenes Lima, p.216)

"Em fins de dezembro de 1956 meu filho adoeceu gravemente no Recife. Dahli e Ana Maria, mulher e filha, foram para junto dele. Fiquei sozinho e desesperado de angústia Inexplicavelmente pensei nos meus bichos de outrora e no convívio inesquecido da chácara do Tirol. Escrevi o primeiro capítulo. (…) Na ansiedade em que vivia, o esforço foi uma derivação sublimadora e o livro nasceu com violência. Revi o material atualizando documentação e verificações. Num clima de inquietação e susto CANTO DE MURO se ergueu, página a página." (CÂMARA CASCUDO, 1959, p. 265).

1959 - Nomeado 3o. Consultor Geral do Estado (O Tempo e Eu, p.41) pelo Governador Dinarte de Medeiros Mariz.

"Consegue [o governador] a maior surpresa da minha vida provinciana, dando-me posse solene em Palácio, presença dos desembargadores e secretários de Estado, champagne, fotos, discursos (...) nomeação inesquecível para o beneficiado, recomendando aos netos o dever na memória." (O Tempo e Eu, p.41)

"O livro que mais me agrada entre os meus é Canto do Muro, publicado pela José Olympio em 1959. Nem sequer posso modificá-lo porque parece trabalho mediúnico. É o que mais amo pelo conteúdo de intensa significação moral e pelo esforço para realizá-lo." (Diogenes Lima, p.74)

1963 - O Instituto de Antropologia da UFRN criou a Medalha Cultural "Câmara Cascudo" para cientistas, instituições e pessoas com serviços prestados ao IA. (Diogenes Lima, p.216).

1964 - Por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, sob a presidência de Enélio de Lima Petrovich, realizou-se em Natal, de 24 a 30 de dezembro, a Semana Câmara Cascudo. Várias conferências foram realizadas sobre a atividade cultural do homenageado, com a participação de: Américo de Oliveira Costa, Newton Navarro, Aderbal de França, Diógenes Lima, Oswaldo de Souza, Nilo Pereira e Manuel R. de Melo. (Diogenes Lima, p.216)

1965 - Em 19 de fevereiro o Instituto de Antropologia da UFRN passou a denominar-se Instituto de antropologia Câmara Cascudo, ampliando também suas atividades de pesquisa. Atualmente é o Museu Câmara Cascudo da UFRN. (Diogenes Lima, p.217)

1966 - Aposenta-se do cargo de professor (O Tempo e Eu, p.218)

"... eu segui minha vida de professor, até 1966, na alegria provinciana, triste e feliz." (O Tempo e Eu, p.218)

1970 - A Fundação Cultural do Distrito Federal, no V Encontro Brasileiro de Escritores, lhe concedeu pelo conjunto de sua obra, o prêmio Nacional de Cultura, entregue então pelo Secretário de Educação e Cultura, general Caxapuz de Medeiros. (Diogenes Lima, p.217)

1973 - Por decisão do Conselho Diretor da Fundação José Augusto, denominou-se de Biblioteca Câmara Cascudo a entidade que tem o maior número de livros e leitores do estado. Várias outras associações e bibliotecas possuem este nome nas cidades de Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante, Jucurutu, Nova Cruz. No Rio de Janeiro a biblioteca do Clube dos amigos do Folclore tem seu nome. (Diogenes Lima, p.217)

A Associação Brasileira de Distribuição de Gás Liqüefeito de Petróleo conferiu a Cascudo o Prêmio Henning Albert Boilesen. A outorga do diploma e prêmio financeiro foi em 9 de agosto, em reunião no Salão Nobre do Hotel Nacional em Brasília, sob a presidência do Vice-presidente da República, almirante Rademaker. O discurso de agradecimento do autor empolgou a todos. (Diogenes Lima, p.218)

1974 - Em comemoração aos 50 anos de atividades intelectuais do autor, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por sugestão do prof. Carlos Lyra, ditou uma série de selos desenhados por Newton Cavalcanti, tendo lançamento em Natal, no dia 28 de fevereiro.

1977 - Indicado pela União Brasileira de Escritores, de São Paulo, para receber o troféu Juca Pato de intelectual do ano, concorrendo com outros intelectuais brasileiros de renome, tendo sido eleito mediante votação em todo o território nacional.(Diógenes Lima, p.27 e 217)

"Na minha idade, pato é indigesto." (Diógenes Lima, p.27)

1978 - Instalado no dia 10 de agosto, em Natal, o Centro de Ensino Superior Câmara Cascudo foi criado por ocasião do trigésimo aniversário da criação da Universidade Popular do Rio Grande do Norte, constituindo sua diretoria a comissão permanente da Medalha do Mérito Câmara Cascudo. (Diogenes Lima, p.219)

O colegiado da UFRN conferiu-lhe o título de Doutor "Honoris Causa" em 26 de maio.

1984 - Na apresentação da antologia Nossa Cidade Natal, fala com nostalgia e ternura de sua cidade, para ele noiva do sol e assume publicamente sua condição de "um brasileiro feliz". (Diógenes Lima, p.63)

1986   - Morre em Natal (RN) no dia 30 de julho. 



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