titulo_notempo.gif (1971 bytes)

1917 - "... habitando São Paulo, em contacto diário com jornais e revistas, homens de letras e jornalistas, toma-se de atividade febril, escreve muito, vive pensando no livro que publicará em breve (...) Colabora na ‘Vida Moderna’, nela publicando inúmeros ‘sueltos’ e alguns capítulos de ‘O Queijo de Minas ou a História de um Nó Cego’; escreve num jornalesco chamado ‘O Queixoso’, n’ ‘A Cigarra’, de Gelásio Pimenta, no ‘Parafuso’, de Benedito de Andrade, n’ ‘O Pirralho, de Oswald de Andrade.Quase sempre, é bom frisar, sob pseudônimos. N’ "O Estado’ e na ‘Revista do Brasil’, usa o próprio nome, e é para essas publicações que reserva quase sempre o melhor, as coisas realmente perduráveis."

"O Estado de São Paulo" (20/12/1917) publica um novo texto de Lobato, tão polêmico quanto o "Velha Praga": uma crítica a exposição da pintora Anita Malfatti que, entretanto, havia enormemente agradado Oswald de Andrade - "Ao que parece, esse desencontro de opiniões explica o silêncio e as relações de ignorância mútua que entre si mantiveram, de um lado os líderes do modernismo paulista de 22; de outro Lobato".

"Além dos artigos e contos, dá início, na edição vespertina do ‘Estado’, de nome ‘Estadinho’, a um inquérito sôbre o ‘Saci Pererê’. O momento era de exaltado nacionalismo; as coisas da terra vinham `a tona, e ninguém mais indicado do que ele para vesti-las adequadamente."

Lobato "organiza para ‘O Estado de São Paulo’, uma pesquisa sobre o saci-pererê. Empolga-se com o assunto e transforma o resultado num livro de trezentas páginas, capa vermelha, impresso `as suas custas e assinado com o pseudônimo de Demonólogo Amador", sendo o livro um enorme sucesso.

"O livro que pode marcar o máximo do denominador comum da literatura do gosto desse ano é o Saci Pererê, volume, dizia a Revista do Brasil, em que Monteiro Lobato reuniu os depoimentos que recolhera para a edição noturna do Estado de São Paulo , ‘acolchetando-lhes alguns comentários deliciosos e emparedando-os entre um prólogo e um epílogo refulgentes de graça’."

1918 - Em Julho é publicado o livro "Urupês". Com o lançamento de "Urupês", "sucedem-se outros lançamentos seus e de seus amigos, sempre com sucesso", realçando Lajolo a "filosofia editorial" que "aponta os impasses de um escritor travestido de editor e documenta a emersão de um lobato-editor ainda embaraçado pelas roupagens de escritor." Para Lajolo, "Lobato começa a conceber a literatura também como mercadoria, incluindo e privilegiando no enfoque que dá aos livros a perspectiva editorial", preocupando-se com a embalagem e o rótulo e com a importância da sugestividade do título. "Já tinha, por exemplo, substituído o planejado título Dez Mortes Trágicas de sua obra de estréia por Urupês; e na substituição (...) não pesou pouco o argumento de que este era o título de um artigo seu de grande repercussão.

" ‘Urupês’ cai como um bólido na pasmaceira em que vegetava a literatura brasileira, marca um acontecimento sem precedentes nas letras nacionais. Oswald de Andrade concorda ter sido ‘Urupês’ o autêntico ‘marco zero’ do movimento modernista, que quatro anos mais tarde deflagaria tão ruidosamente em São Paulo."

De acordo com Edgar Cavalheiro o artigo sobre Jeca Tatu que encerrava as páginas de "Urupês" provocou uma enorme polêmica na imprensa. "Ao sair o livro, o Jeca transforma-se em ‘assunto’, em ‘tema’ de debate (...) O Sr. Leônidas Loila, por exemplo, publicou um volumizinho indignado, no qual verberava ‘essa campanha sistemática de depreciação e ridículo do homem e das coisas do Brasil’. Campanha, dizia ele, que está transformando em nossa Pátria ‘uma geração de céticos e de pessimistas, por um lado, concorrendo por outro lado para o nosso descrédito no estrangeiro’.

O caboclo era o ‘ai! -jesus nacional’. O próprio Lobato escrevera pouco antes, como que numa previsão do que ia acontecer: ‘Em havendo caboclo em cena, o público lambe-se todo. O caboclo é um menino Jesus étnico que todos acham engraçadinho, mas ninguêm estuda como realidade. O caipira estilizado das palhaçadas teatrais fez que o Brasil nunca pusesse tento nos milhões de pobres criaturas humanas, residuais e sub-raciais, que abarrotam o interior. Todos as tem como enfeites da paisagem, como os anões de barro nos jardins da Paulicéia.’

Daí a surpresa, o desconcerto. Jeca caía no meio desse otimismo róseo como um impacto. O mais fácil era nega-lo. ‘Jeca Tatu não existe, nunca existiu em nossas brenhas numerosas. O Sr. Monteiro Lobato fantasiou parlamente a existência, os hábitos, as energias, as atividades dos bravos, robustos, intrépidos e varonis caborés brasileiros... E fe-lo únicamente para servirmos de pasto `as zombarias, `as ironias, `as chacotas invejosas dos nossos tremebundos inimigos do Prata. Quem o dirá, concluía o zangado articulista, que o Sr. Monteiro Lobato não foi pago para nos denigrir?’ ‘Jeca, acentuava o Sr. Cândido Mota Filho, é a ‘reclame do nosso descrédito’. "

Tratando do reaparecimento de Jeca Tatu, em vários outros autores, Lajolo traça um ligeiro panorama das diferentes feições então assumidas pelo personagem lobatiano: "Primeiro na voz possante de Rui Barbosa, que retoma a imagem do caipira de cócoras e a amplifica do alto da tribuna eleitoral. Revive depois com Miguel Pereira, que faz uso dela nas campnhas sanitaristas que lidera e as quais Lobato secunda na imprensa. E revive 25 anos mais tarde, em 1945, quando Oswald de Andrade, no discurso de encerramento do 1 Congresso Brasileiro de Escritores, faz dele metáfora da nacionalidade. Mas é no bojo da sua segunda ressurreição, por ocasião das campanhas de saneamento, que o próprio Lobato retoma sua criatura, focalizando-a diferentemente, compreendendo-a agora `a luz de um outro contexto: o da saúde pública brasileira corroída pelas epidemias."

"<<O Jeca não é assim, está assim>> é a forma lapidar que resume o reequacionamento lobatiano da questão. Em uma série de artigos publicados em O Estado de São Paulo, e em 1918 enfeixados no livro O Problema Vital (...) Lobato denuncia a ancilostomose, a leishmaniose, a subnutrição e a tuberculose como causas da miséria do caboclo."

"No conjunto esses artigos verberam a precariedade da saúde pública brasileira (...). Suas entrelinhas representam também uma autocrítica deste Lobato ao Lobato anterior, que em 1914 não soubera compreender o caboclo incendiário de Buquira. O Lobato de agora sabe que o seu injustiçado Jeca representa ‘... milhões de criaturas que no meio de uma natureza forte e rica songamongam rotos, esquálidos, famintos, doridos, incapazes de trabalho eficiente, servindo apenas de pedestal aos gozadores a vida que literatejam e politicalham nas cidades bradando para o interior inânime’."

1919 - Em Março começa a funcionar a editora de Monteiro Lobato.

Publica "Cidades Mortas" e "Idéias de Jeca Tatu".

1920 - Publica o volume de contos "Negrinha" e a novela "Os Negros".

O artigo "A Luz Córnea" é publicado no Correio da Manhã. Neste, Lobato revela que "o Brasil de amanhã não se elabora aqui. Vem em películas de Los Angeles, enlatado como goiabada. E a dominação ianque vai se operando de maneira agradável, sem que o assimilado o perceba".

1921 - Publicação na Argentina de "Urupês", com tradução realizada por Benjamim de Garay. O jornal "La Nacion" e outras publicações como "Plus Ultra", "Caras y Caretas" e "Nueva Era", realizaram reportagens e estamparam fotos sobre Monteiro Lobato.

"entre a fundação e a falência da Editora que levava seu nome, Monteiro Lobato engendrou a sua mais bela invenção: o Sítio do Pica Pau Amarelo, cuja história começa a circular em 1921, ano da publicação de A menina do narizinho arrebitado, antecipada da divulgação de alguns fragmentos na Revista do Brasil."

Para Lajolo, com o gênero infantil que inaugura, Lobato transfere "o know-how adquirido com livros não infantis". "Com esse sítio, Lobato em 1921 inaugurou nossa literatura infantil, gênero marcadamente moderno. O surgimento de livros para crianças pressupõe uma organização social moderna, por onde circuleuma imagem especial de infância; uma imagem que encare as crianças como consumidoras exigentes de uma literatura diferente da destinada para os adultos. É pois, como iniciador do gênero no Brasil, que Lobato acrescenta mais um ponto a seu currículo de modernidade."

"Das mais importantes é a contribuição da editora de Monteiro Lobato para a renovação das nossas obras didáticas e infantis. O livro escolar que atualmente conhecemos - tão bom quanto o melhor de qualquer parte - surge das reedições da ‘Gramática Expositiva’, de Eduardo Carlos Pereira. E o livro infantil brasileiro nasce, sem dúvida, de ‘A Menina do Narizinho Arrebitado’. Também no setor gráfico não é pequeno o serviço que lhe devemos. Antes dele, praticamente não existira entre nós a obra ilustrada. Atraindo artistas como Voltolino, J. Wasth Rodrigues, Di Cavalcanti, Rui Ferreira, Correia Dias, e tantos outros mais, valoriza os textos com belíssimas ilustrações, e em lugar das habituais capas tipográficas, vistosos desenhos dão colorido e graça `as brochuras."

Segundo Edgar Cavalheiro o livro infantil "Narizinho Arrebitado" nascera de um jogo de xadrez com Toledo Malta na Cia. Editora Nacional. Este lhe conta a história de um peixinho que ao passar algum tempo fora d’água desaprendera a nadar, e que ao voltar ao rio afogara-se. Logo após o jogo, Lobato escreveu "História do Peixinho que morreu afogado". Resolve desenvolver melhor a história, lembra de cenas da roça, onde passou a infância: as pescarias no ribeirão, as entradas na floresta com o pai, as brincadeiras com as irmãs. E começa a história com Dona Benta. Porquê velha e porquê Benta assim explica Lobato: "Velha porque se iam entrar em cena crianças, era preciso botar uma velha, uma vovó, pois só as vovós aturam crianças e deixam-nas fazer o que querem. E um rapaz com quem estudara, Pedro de Castro, contava histórias de sua avó Benta." Publicou na "Revista do Brasil" fragmentos sob o título de "Lúcia, ou a Menina do Narizinho Arrebitado", que permaneceu como "Narizinho Arrebitado".

Precede a publicação dos fragmentos de "Lúcia, a Menina do Narizinho Arrebitado" com a seguinte nota: "A nossa literatura infantil tem sido, como poucas exceções, pobríssima de arte, e cheia de artifício, - fria, desengraçada, pretenciosa. Ler algumas páginas de certos "livros de leitura", equivale, para rapazinhos espertos, a uma vacina preventina contra os livros futuros. Esvai-se o desejo de procurar emoções em letra de forma; contrai-se o horror do impresso ... Felizmente, esboça-se uma reação salutar. Puros homens de letras voltam-se para o gênero, tão nobre como qualquer outro".

Segundo Cavalheiro, "a literatura infantil praticamente não existia entre nós. Antes de Lobato havia tão somente o conto com fundo folclórico. Nossos escritores extraíam dos vetustos fabulários o tema e a moralidade das engenhosas narrativas que deslumbraram e enterneceram as crianças das antigas gerações, desprezando, frequentemente, as lendas e tradições aparecidas aqui, para apanharem nas tradições européias o assunto de suas historietas.(...) A reação se fez, e escritores de categoria, como Olavo Bilac, Júlio Cesar da Silva, Francisca Júlia, Coelho Neto, João do Rio, Arnaldo de Oliveira Barreto, Tales de Andrade, Viriato Correa e outros surgiram com produções originais, traduções ou adaptações.(...) Era ainda muito pequena a literatura que a meninada dispunha. Os grandes mestres do gênero - Andersen, Perrault, Collodi, Grimm, Lewis Carrol, Burger, Barrie - permaneciam inacessíveis à imaginação e à sensibilidade da criança brasileira. Existiam algumas traduções - do Robinson, Júlio Verne, Cônego Schmidt, Condessa de Ségur - mas tão mal feitas que nenhum encanto exerciam sobre a criançada".

Sobre o primeiro livro infantil de Monteiro Lobato, escreve Breno Ferraz: "Publicou-se um livro absolutamente original, em completo, inteiro desacordo com todas as nossas tradições "didáticas". Em vez de afugentar o leitor, prende-o. Em vez de ser tarefa, que a criança decifra por necessidade, é a leitura agradável, que lhes dá a mostra do que podem os livros. (...) Com o seu aparecimento marca-se a época em que a educação passará a ser uma realidade nas escolas paulistas. De fato, a historieta fantasiada por Monteiro Lobato, falando à imaginação, interessando e comovendo o pequeno leitor, faz o que não fazem as mais sábias lições morais e instrutivas: desenvolve-lhe a personalidade, libertando-a e animando-a para cabal eclosão, fim natural da escola. Nesses moldes há uma grande biblioteca a construir".

A primeira edição de "Narizinho Arrebitado" é uma imprudência editoral com 50 mil exemplares. Mas a tiragem esgota-se em oito ou nove meses. A presidência de São Paulo era ocupada por Washington Luís, que ao visitar os grupos escolares com Alarico Silveira ( Secretário do Interior), percebeu a existência de um livro de leitura extraprograma muito requisitado pelas crianças mas muito "sujinho e surrado". Lobato, mandara como propaganda a todos os Grupos e Escolas do Estado, um exemplar de "Narizinho Arrebitado". Para Washington Luís, "se este livro anda assim tão escangalhado pelas crianças em tantos Grupos, é sinal de que as crianças gostam deles. Indague de quem é e faça uma compra, para uso em todas as Escolas", ordenou à Alarico Silveira. Lobato ao ser perguntado pelo Secretário de quantos exemplares este poderia dispor, revela que quantos o governo precisar. Fronece ao governo 30 mil exemplares. Para Cavalheiro, "uma doida aventura comercial, converteu-se em exelento negócio."

A primeira edição de "Narizinho Arrebitado" traz o subtítulo de "segundo livro de leitura para uso das escolas primárias. "E o ter dado forma didática aos primeiros livros, mostra que mais do que as crianças, visava os "escolares". As duas histórias que o componhem terminam com exclamações: "Que pena! Tuda aquilo não passara de um lindo sonho..."; "Que pena! Era sonho outra vez...". "São frases que monstram, com nitidez, que o autor não se dera ainda conta de que iniciara a criação de um mundo." ".

Publica "Onda Verde", "O Saci" e "Fábulas de Narizinho".

1922 - Publica "Fábulas" e "O Marquês de Rabicó".

Além das edições escolares, Lobato aproveita para fazer das aventuras de "Narizinho" belos álbuns coloridos de 30 a 40 páginas, "coisas inteiramente novas em matéria editorial".

1923 - Publica "O Macaco que se Fêz Homem" e "Mundo da Lua".

1924 - Publicação do artigo "A Arte Americana", que apresenta considerações sobre o cinema: a França não soube aproveitar a invenção (cinema) que teve em mãos. Já os americanos apoiaram a nova arte em bases industriais.

1925 - "Apesar da má vontade com a imprensa, é nela que ao chegar ao Rio, encontra consolo para as suas mágoas. Escreve para ‘O Jornal’ os diálogos com Mr. Slang, e para ‘A Manhã’, então em grande fase, além de um punhado de artigos, o romance em folhetins, - ‘O Choque das Raças ou O Presidente Negro".

1926 - Entre o fim desse ano e começo de 1927 Lobato escreve inúmeros artigos que são reunidos em livro intitulado "Opiniões". Da mesma época são alguns dos trabalhos reunidos em "Na Antevéspera".

1927 - Publicação de "O Circo de Escavalinho", "O noivado de Narizinho" e a " A Cara da Coruja".

As histórias criadas após "O casamento de narizinho" são escritas em Nova York, "vivo contraste com a pacatez e serenidade do "Sítio" que tira do passado para a imortalidade".

1931 - Publicação de "Reinações de Narizinho". Agora seus escritos não são realizados "com a mesma despreocupada pureza. Agora escreve profissionalmente".

1932 - Escreve "Viagem ao Céu", publica "América", e traduz "Os Contos" de Andersen.

1933 - Edita "Na Antevéspera" e as "Novas Reinações de Narizinho". Redige a "História do Mundo para as Crianças e "As Caçadas de Pedrinho". Traduz "Mowgli, o Menino Lobo", de Kipling.

O livro "História do Mundo para as Crianças" teve reações contrárias da chefia do "Serviço das Instituições Auxiliares da Escola", do Departamento de Educação da Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública, do Estado de São Paulo. Apresentam inconveniências como as ironias em torno da queima de café do Governo, as discussões sobre Santos Dumont, e principalemnte, contestam o tom polêmico do autor na defesa da "formação cristã" da família brasileira. As reações também surgiram do exterior. Portugal proibiu a obra no país e em suas colônias.

1934 - Getúlio Vargas, novamente por intermédio de Ronald de Carvalho, convida Lobato a estudar a hipótese de dirigir os serviços de um "Ministério" ou de um "Departamento de Propaganda", a ser criado no seu Governo.

1935 - Publicação do livro "Geografia de Dona Benta". Foi denunciado como "obra deletéria, separatista," com trechos insultantes para o Brasil. Lobato defende-se dizendo que "Dona Benta disse aos seus netos a verdade pura, e uma verdade de conhecimento do mundo inteiro. Não há nenhum insulto ao Brasil no fato de uma avó contar aos netos o que é verdade e todos os adultos sabem".

1937 - Publicação de "O Poço do Visconde". A publicação sofreu críticas, visto que o livro afirma que havia petróleo no Brasil enquanto que os técnicos do governo diziam que o Brasil não tinha nem poderia ter petróleo. "As afirmativas de Visconde não passavam de heresia. Ao fogo, portanto, com o herege. Mas dosi anos depois, em Lobato, no Estado da Bahia, justamente no local indicado pelo Visconde, o petróleo brotou da terra."

1939 - Inicia a colaboração para o jornal argentino "La Prensa". O primeiro trabalho é uma síntese do progresso e da cultura brasileira, texto pedido por Ezequiel Paz. Começa a fazer artigos semanalmente para o jornal. Escreve entre 1939 e 1940 os artigos: "La primeira novela americana", "Heredero de si mismo", "Je prends le soleil", "Un recuerdo sobre Rui Barbosa", "La remolacha de Maricota", "Sueño de una mañana tropical", "Machado de Assis", "El Nandú e las Saúvas" , "El Brasil visto verticalmente", e muitos outros.

1941 - Traduções: "Kim" de Kipling, "O livro de Jangal"; e "rumina longamente seus próprios pensamentos". Cavalheiro revela que estas duas traduções não foram apenas traduções comerciais, "mas trabalho de artista, de admirador incondicional do original" e julga-se pago por todas as outras traduções que fora obrigado a traduzir e do tão ingrato ofício.

No final do ano trabalha na tradução do livro "Engines of Democracy" de Roger Burlingame.

1942 - Escreve o artigo "A Moeda Regressiva", teoria econômica apresentada como sugestão. O "El Economista" do México transcreve o artigo e em suas colunas surgem várias discussões sobre o assunto.

Concretização de um novo livro infantil: "A Chave do Tamanho" que inicialmente iria chamá-lo de "A Revolução de Emília".

1943 - Traduções de livros que abordam o espiritismo: "Raymond" e "Rumo às Estrelas". Em março, recebe a notícia da Cia. Editora Nacional que as suas tiragens já ultrapassaram o milhão e quinhentos mil exemplares. Mais de dois terços são de literatura infantil.

Autores que foram traduzidos por Monteiro Lobato ao longo da vida: Kipling, Jack London, Mark Twain, Lin Yutang, Herman Melville, Conan Doyle, Saint-Exupéry, André Maurois, Ilya Erenbourgh, Richard Wright, Ernest Hemingway, Will Durant, Bertrand Russel, Sholem Asch, Maurice Maeterlink, Thornton Wilder, Wells, e dezenas de outros. "Pode-se ainda afirmar ter sido Monterio Lobato o primeiro escritor brasileiro de nomeada a reabilitar esse gênero de trabalho intelectual, até então acobertado pelo anonimato, ou discretamente velado por pudicas iniciais". E "Monteiro Lobato deu novo prestígio à tradução, erguendo-a, como atividade intelectual, ao mesmo nível da produção original".

1944 - No final deste ano se despede, com pesar, do oficio de tradutor. Escreve à Rangel: "Volte à sua tradução. Goze dessa delícia de que desassisadamente eu vou me privar. Foi a tradução que me salvou depois do meu desastre no petróleo. Em vez de recorrer ao suicídio e ao álcool ou a qualquer estupefaciente, recorri ao vício de traduzir, e traduzi tão brutalmente, que me acusaram lá fora de apenas assinar as traduções. Mas era o meio de me salvar. Hoje me sinto perfeitamente curado - e por isso abandono o remédio".

Decide pela publicação da sua correspondência com Godofredo Rangel.

Enquanto reve as provas de "A Barca de Gleyre", tenta convencer o amigo de publicar as suas cartas também, "atira-se com juvenil entusiasmo à fatura de "Os Doze Trabalhos de Hércules". Segundo Cavalheiro, "Monteiro Lobato é assim mesmo: quando se entusiasma por qualquer idéia, a ela se atira de corpo e alma, com uma capacidade de produção realmente extraordinária(...). O enredo é arquitetado em longas e solitárias caminhadas. Aos amigos mais chegados reconstitui a história, andando de lá para cá, inventando novas cenas, intercalando frases e tiradas de efeito." Segundo o próprio Lobato: "Não arquiteto a frase: despejo-a sobre o papel no jeito, no tom, no rebarbativo, no elance com que me acode à pena".

"A Barca de Gleyre" é o último livro de Lobato publicado na Cia. Editora Nacional. Estivera junto com Otales Marcondes Ferreira na Editora desde 1918. Mas abandona a casa que passara boa parte de sua vida para, em companhia de Artur Neves e Caio Prado Júnior, fundar a Brasiliense, que cuidará com prioridade os seus livros. Como não tem coragem de falar pessoalmente com seu amigo a sua decisão, escreve-lhe uma carta: " O desenvolvimento da Editora e a expansão do lado didático faz naturalmente que ela vá cada vez mais perdendo o interesse pelos livros de literatura geral, cujas edições são muitíssimo menores que as dos livros escolares. Nada mais lógico e natural; mas como isso me afeta os interesses, venho te propor uma modificação na nossa entente de tantos anos: você escolhe os livros que desejar e compromete-se a reeditá-los sempre, de modo que não haja solução de continuidade na oferta ao público; os outros livros eu os distribuo pela Globo, José Olímpio e Brasiliense, sob condições que eu determinarei. Desse modo tudo fica bem resolvido, a contento das partes." Lobato se entusiasma com as possibilidades financeiras que os livros podem lhe dar neste momento.

1945 - Finaliza a sua última tradução, o último volume (já tinha taduzido os outros) da "História da Civilização"de Will Durant.

Com a publicação de "Os Doze Trabalhos de Hércules"Lobato conclui a saga infantil iniciada com "Narizinho Arrebitado". São 39 histórias, das quais 32 originais e 7 adaptações. São quase um milhão de exemplares e os planos editorais ainda são grandiosos: aparecerão 37 livros no mercado de língua espanhola; os 30 volumes de "Obras Completas" estão em preparo. Já foi traduzido para o francês, espanhol, inglês, árabe, alemão, japonês, ídiche, italiano . Para Cavalheiro "A literatura infantil nasce, cresce e termina por absorver-lhe todas as atividades intelectuais, sem que para tal se preparasse conscientemente."

1946 - Continua revendo as provas de "Obras Completas".

É lançado "Obras Completas" no Brasil e lançado na Argentina toda a série infantil de Lobato. Sua situação econômica se consolida.

1947 - Percebe que falta na Argentina um livro que explique o que está acontecendo no País. Estuda a nação e escreve "La Nueva Argentina" para crianças com o pseudônimo de Miguel P. Garcia, editado pela Editora Acteon. Na Argentina todos falam da clareza com que Lobato expôs às crianças o plano quinquenal do Presidente argentino o General Peron. A imprensa brasileira divulga o caso apresentando a obra como uma encomenda do Governo Peron. Conclui que "ao que parece, o Sr. Monteiro Lobato andou comendo pratos condimentados pelo impetuosos esposo da Sra. Evita". Lobato responde: "Não se trata de nenhum negócio escuso ou inconfessável. Trata-se de um escritor livre, libérrimo mesmo, que só diz o que pensa e escreve o que quer, onde quer que esteja, no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos."

Escreve "Zé Brasil", que cria grande rebuliço na imprensa, pois o momento é de reação que poderia derrotar o Partido Comunista. O livro descreve o drama de um homem rural que assina contratos com os donos das terras dando em troca a sua produção. É mais um Jeca Tatu mas "o artista não está presente em "Zé Brasil". Muitos disseram que Lobato estava tomando a posição contra os proprietários de terra ao colocar em pauta o problema agrário. Com a reação política "Zé Brasil" é apreendido e muitos escrevem ao autor querendo um exemplar deste livrinho que todos falam mas ninguém tem.

1948 - 2 de julho: o repórter da Rádio Record Murilo Antunes Alves o procura para uma entrevista. Opina sobre o petróleo, sobre a política nacional e internacional, revela o amor que tem pelas crianças e se arrepende de ter perdido tanto tempo escrevendo para os adultos. Acha que o mundo está mesmo perdido e que só gostaria de voltar ao mundo novamente se fosse para escrever mais histórias para as crianças.



Os Descobridores | Diário de Bordo
Outras Viagens | Carta de Navegação | Tripulação

msneves@his.puc-rio.br