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1927 - Torna-se adido comercial em Nova York

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1927 - Monteiro Lobato aceita o convinte para ser Adido Comercial brasileiro em Nova York, e em Maio embarca para lá com sua família.

Quinze dias após a sua chegada em Nova York, Lobato já escrevia dizendo que estava "americanizado, possuíndo automóvel, rádio e um belo apartamento. Em agosto começa a transmitir aos amigos as impressões do País. ‘Imaginei grande, mas é maior! É imenso, é infinito, é um mundo novo.’ ‘Sinto-me encantado com a América! O País com que sonhava. Eficiência! Galope! Futuro! Ninguém andando de costas!’ Esta realmente feliz, eufórico. ‘Tudo como quero, como sempre sonhei. Seu desespero é por ter acordado tão tarde, ter ido tão velho para o País maravilhoso. ‘Que estupidez infinita estragar uma vida inteira aí... A ilusão do brasileiro é um caso sério. O mundo já está na era do rádio, e o Brasil ainda lasca pedra. Ainda é troglodita. O Brasil dorme. Daqui se ouve o seu ressonar. Dorme e é completamente cego’.

Segundo Edgar Cavalheiro dois meses após a sua chegada em Nova York já se esboçava na mente de Lobato uma grandiosa idéia, ou, mais precisamente, um plano grandioso: dar ferro e petróleo ao Brasil. "Isso se tornará com o decorrer dos dias uma idéia fixa. Não pensara antes no assunto. Intuira faltar ao Brasil algo que o mantinha naquela lazeira. Sabia ser a pobreza. Mas supunha que a pobreza tinha origens noutras causas: politicalha, militarismo, preguiça, sem-vergonhice. Até mesmo causas raciais, geográficas e religiosas. Mas ao deparar com o progresso dos Estados Unidos, que não calculara tão grande, procura informar-se das razões de tanta riqueza. Encontra então como base econômica da nação dois produtos - ferro e petróleo. Eram os pontos básicos. O que via deslumbrado, não passava de consequência."

Segundo Edgar Cavalheiro para Monteiro Lobato só as soluções indiretas resultariam eficazes para resolver os problemas pelos quais o Brasil atravessava. "E tais soluções, pensa o escritor em princípios de 1927, resumem-se no enriquecimento da Nação. Só a riqueza traria instrução e saúde, como só ela tráz ordem, moralidade, boa política, justiça. Para ele, o País não precisa de reformadores, e sim de homens que tirem do caminho os embaraços com que a má fé, o espírito do parasitismo, e a estupidez, embaraçam os movimentos do povo."

Em Nova York tudo o encanta: "os cinemas, principalmente os filmes falados, então grande novidade, as festas do Independence Day, o movimento da bolsa, as doações `as universidades, os teatros, os edifícios, as pessoas, os animais, as estradas. ‘A semana passada, comunica a Lino Moreira, fui a Washington de autpo. Que estradas! Que conforto! Que Maravilha... Vim besta pelo resto da vida e com uma tristeza imensa do Brasil não ser assim’."

Em Nova York, a saudade da Pátria aparece. Começa a lembrar-se da infância, da fazenda, da mata, das irmãs, do colo materno. Para Cavalheiro, "o mundo da criança se reconstitui, sereno, perfeito, e aquilo lhe dá prazer. Um prazer insuspeitado. Como há tempos não sentia. Ao regressar à casa, fecha-se no escritório, toma os livrinhos largados num canto da estante, relendo-os com infinito agrado. Chaga a ficar comovido. Não pensara, até auqele momento, que naquelas historietas o melhor era o seu próprio mundo infantil que, meio inconsciente, reconstruía, com a pureza e inocência que só as lembranças da infância permitem ao adulto."

1927 - Publicação de "O Circo de Escavalinho", "O noivado de Narizinho" e a " A Cara da Coruja".

As histórias criadas após "O casamento de narizinho" são escritas em Nova York, "vivo contraste com a pacatez e serenidade do "Sítio" que tira do passado para a imortalidade".

1927 - Cisões no Movimento Modernista. Aparecem daí diferentes "clãs": da Anta, do Jaboti, do Pau Brasil, da Antropofagia, do Verde-Amarelo.
1928 - "A 3 de Maio de 1928, de New York escreve longa carta a Alarico Silveira, então chefe da Casa Civil do Presidente Washington Luís. Mais do que uma carta amiga, é um extenso, bem pensado e admiravelmente escrito relatório, abordando todos os aspectos do problema. Começa pedindo ao amigo que se prepare, pois o que vai ler é a carta mais importante que dos Estados Unidos jamais fora escrita para o Brasil. Acabara de chegar de Detroit, onde vivera a ‘semana-mãe’ de sua vida, rica de ensinamentos e altas impressões e de capital importância para a solução ‘de todos os problemas brasileiros’. Gritava a palvra ‘todos’, acentuando: ‘um país que resolve o problema do ferro, resolve, ipso fato, todos os demais problemas que o atormentam’."

Monteiro Lobato escreve em uma carta as suas impressões de Detroit: "Detroit bestificou-me. Aprendemos em uma semana ali, eu e Bulcão, mil vezes mais do que aprendemos em todas as nossa vida. Começamos pela Ford. Visitamos as partes daquela maravilhosos organismo e concluímos a inspecção travando conhecimento com o cérebro da Empresa, o punhado de células cinzentas donde tudo tem saído. Na mesa redonda onde esse cérebro se alimenta, ingerindo chikens and pies que transformam depois em idéias, tivemos a honra de mastigar juntos com Mr. Sorensen, esse colosso e mais os ‘executivos’ do poderoso staff. Entre eles estava um homenzinho do meu tamanho, mais humilde e modesto que todos os outros. Era o Benjamim do staff, o mais poderoso de todos aqueles sublimes operários, o filho de Mr. ford, Edsel."

1928 - São publicados os livros Macunaíma de Mário de Andrade e Retrato do Brasil de Paulo Prado.
1929 - Quebra da Bolsa de Nova York. Anísio Teixeira é aluno de John Dewey na Universidade de Columbia.
1930 - Seu filho Edgar adoece. Nesta ano Lobato escrevia a sua irmã: "Hás de crer que acabo de cometer um dos maiores erros da minha vida? Entrei no Stock Exchange com todos os recursos que pude reunir, certo de fazer fortuna. Errei o bote. Em vez de ganhar já perdi metade do meu capital e estou ameaçado de perder o resto e ainda ficar devendo alguma coisa. Estou resistindo, sempre com esperanças de que uma alta nos títulos ainda me permitam ao menos diminuir os prejuízos, mas não sei se poderei resistir muito tempo. O mais certo é perder tudo e ficar reduzido a ordenado." Em meados de 1930 Monteiro Lobato fica reduzido ao ordenado de adido comercial.

" ‘Vou ressuscitar literáriamente’, declara em meados de 1930. É na literatura que encontrará desafôgo para todas as mágoas. É dela que vai haurir enrgias para continuar a luta. A literatura, sempre tão malsinada, tudo lhe dará: a alegria de viver e meios de subsistência. ‘Só me volto para as letras quando o bolso se esvazia, e agora, em vez de ganhar milhões de dólares, perdi alguns milhares na Bolsa. Resultado: literatura ‘around the corner’."

1930 - No Brasil eclode a chamada Revolução de 30.
1931 - Monteiro Lobato regressa ao Brasil. No final do ano "estão prontos todos os planos para o lançamento da Cia. Petróleo do Brasil, inclusive os prospectos. O programa inicial consiste em levantar pequeno capital, exclusivamente para as experiências com o aparelho Romero, indicador de óleo e gás, e no qual alguns entendidos depositam profundas esperanças.". Cançado de apelar aos poderes oficiais, Monteiro Lobato dirige-se ao público. 1931 - Publicação de "Reinações de Narizinho". Agora seus escritos não são realizados "com a mesma despreocupada pureza. Agora escreve profissionalmente". 1931 - Início da correspondência entre Monteiro Lobato e Getúlio Vargas. Nesta carta, Getúlio por intermédio de Ronald de Carvalho, oferece à Monteiro Lobato novas oportunidades à serviço do governo. Lobato recusa o convite. 1931 - Anísio Teixeira assume o cargo de diretor de Instrução Pública no Distrito Federal até 1934, quando o cargo se transforma em Secretaria da Educação e Cultura, aí permanecendo até primeiro de Dezembro de 1935
1932 - Monteiro Lobato "tem com Getúlio Vargas o que julga a última conferência duma série objetivada para a solução do problema siderúrgico. "Lembro-me, diz Lobato, que lhe resumi o caso brasileiro nestes termos culináriamente prosaicos: A República Velha mexia o angu do caldeirão da esquerda para a direita; a República Nova está a mexê-lo da direita para a esquerda; a República Novíssima talvez o mexerá de cima para baixo ou vice-versa. Nada disso aumenta o angu do caldeirão - e o verdadeiro mal reside na escassez do angu. Há muita pobreza, muita miséria no Brasil. O que existe de riqueza criada é pouco demais para famintos (...) Criar oportunidades para todos, eis o programa. Mas só há de conseguir isso pelo desenvolvimento da indústria do combustível e do ferro, que são básicas. do ferro sai a máquina que multiplica a eficência do homem; do combustível sai a energia mecânica que faz mover a máquina. Máquina e energia: eis a grande revolução que temos de operar neste imenso gigante entrevado e faminto que se chama Brasil." 1932 - Escreve "Viagem ao Céu", publica "América", e traduz "Os Contos" de Andersen. 1932 - Monteiro Lobato "tem com Getúlio Vargas o que julga a última conferência duma série objetivada para a solução do problema siderúrgico. "Lembro-me, diz Lobato, que lhe resumi o caso brasileiro nestes termos culináriamente prosaicos: A República Velha mexia o angu do caldeirão da esquerda para a direita; a República Nova está a mexê-lo da direita para a esquerda; a República Novíssima talvez o mexerá de cima para baixo ou vice-versa. Nada disso aumenta o angu do caldeirão - e o verdadeiro mal reside na escassez do angu. Há muita pobreza, muita miséria no Brasil. O que existe de riqueza criada é pouco demais para famintos (...) Criar oportunidades para todos, eis o programa. Mas só há de conseguir isso pelo desenvolvimento da indústria do combustível e do ferro, que são básicas. do ferro sai a máquina que multiplica a eficência do homem; do combustível sai a energia mecânica que faz mover a máquina. Máquina e energia: eis a grande revolução que temos de operar neste imenso gigante entrevado e faminto que se chama Brasil." 1932 - Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. No mês de Fevereiro a revista A Ordem publica um artigo de Alceu Amoroso Lima "alertando os católicos contra o predomínio da mentalidade laicista que seculariza o Estado. Alceu Amoroso Lima levanta-se contra o manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que sugere a concentração do ensino nas mãos do Estado, contribuindo assim, segundo ele, para a implantação do regime comunista. Adverte contra a institucionalização da nova política educacional, que significará, a seu ver, um atentado contra a nacionalidade."
1933 - Edita "Na Antevéspera" e as "Novas Reinações de Narizinho". Redige a "História do Mundo para as Crianças e "As Caçadas de Pedrinho". Traduz "Mowgli, o Menino Lobo", de Kipling.

O livro "História do Mundo para as Crianças" teve reações contrárias da chefia do "Serviço das Instituições Auxiliares da Escola", do Departamento de Educação da Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública, do Estado de São Paulo. Apresentam inconveniências como as ironias em torno da queima de café do Governo, as discussões sobre Santos Dumont, e principalemnte, contestam o tom polêmico do autor na defesa da "formação cristã" da família brasileira. As reações também surgiram do exterior. Portugal proibiu a obra no país e em suas colônias.

1933 - O livro "História do Mundo para as Crianças" teve reações contrárias da chefia do "Serviço das Instituições Auxiliares da Escola", do Departamento de Educação da Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública, do Estado de São Paulo. Apresentam inconveniências como as ironias em torno da queima de café do Governo, as discussões sobre Santos Dumont, e principalemnte, contestam o tom polêmico do autor na defesa da "formação cristã" da família brasileira. As reações também surgiram do exterior. Portugal proibiu a obra no país e em suas colônias. 1933 - É publicado o livro Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre.
1934 - Releitura do livro de Godofredo Rangel, "Vida Ociosa". 1934 - Getúlio Vargas, novamente por intermédio de Ronald de Carvalho, convida Lobato a estudar a hipótese de dirigir os serviços de um "Ministério" ou de um "Departamento de Propaganda", a ser criado no seu Governo. 1934 - Getúlio Vargas, novamente por intermédio de Ronald de Carvalho, convida Lobato a estudar a hipótese de dirigir os serviços de um "Ministério" ou de um "Departamento de Propaganda", a ser criado no seu Governo. 1934 - Sobre a "rotinização" do Modernismo no decorrer da década de 30, diz Antonio Cândido: "Na literatura, o que parecia brincadeira foi sendo reconhecido como a norma dos tempos novos, até penetrar no jardim fechado e vigiado do ensino. Nós, que começamos o ginásio com a velha e aliás bem feita antologia de Fausto Barreto e Carlos de Laet (encerrada na altura de Billac e Coelho Neto), vimos surgir, em 1933 ou 34, a de Estêvao Cruz, que transcrevia logo no começo um ensaio de Tristão de Athaíde sobre o Modernismo, ao lado de um trecho de Graça Aranha sobre o Carnaval carioca e, logo em seguida, um episódio de Macunaíma."

Neste ano "Getúlio Vargas cria o departamento de Propaganda e Difusão Cultural junto ao Ministério da Justiça, esvaziando o Ministério da Educação não só da propaganda - que este ministério, sob Capanema, possivelmente - como também do rádio e do cinema.

1935 - Publicação do livro "Geografia de Dona Benta". Foi denunciado como "obra deletéria, separatista," com trechos insultantes para o Brasil. Lobato defende-se dizendo que "Dona Benta disse aos seus netos a verdade pura, e uma verdade de conhecimento do mundo inteiro. Não há nenhum insulto ao Brasil no fato de uma avó contar aos netos o que é verdade e todos os adultos sabem".


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